Com 90% de dependência externa, indústria de fertilizantes cobra reindustrialização do Brasil
Em documento lançado no Dia Mundial dos Fertilizantes, o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert) alerta para o risco geopolítico de depender do mercado externo para alimentar a produção agrícola do país

No Dia Mundial dos Fertilizantes, nesta terça-feira (13), o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert) publicou uma carta aberta que expõe um cenário alarmante para o agronegócio nacional. Atualmente, o país importa 90% dos nutrientes necessários para nutrir o seu solo.
Segundo o documento, embora o país seja reconhecido mundialmente como um dos maiores celeiros agrícolas do planeta, a forte dependência externa coloca a segurança alimentar e o agronegócio, responsáveis por sustentar um quarto da economia nacional, sob o risco de fatores externos, como sanções, crises geopolíticas e restrições de abastecimento impostas por outros países.
Conta bilionária e impactos na cadeia produtiva
A entidade destaca que, ao longo de trinta anos, a prática de exportar alimentos e utilizar parte dessa receita para adquirir insumos no exterior custou ao país cerca de R$ 1,4 trilhão (em valores atuais). Essa dinâmica acabou por gerar empregos, renda e parques industriais fora do território brasileiro.
O texto informa ainda que os fertilizantes estão na base de praticamente toda a entrega do campo, impactando desde a qualidade nutricional dos alimentos e a produção de proteína animal (por meio da ração) até os biocombustíveis e a celulose. Além disso, a cadeia industrial de fertilizantes é vista como um pilar essencial para viabilizar tecnologias do futuro, como a extração de terras raras, a fabricação de baterias e o desenvolvimento do hidrogênio verde.
Os cinco compromissos com o Brasil
Para reverter esse cenário e interiorizar a reindustrialização do país, a carta estabelece cinco compromissos centrais assumidos pela indústria:
- Multiplicar os investimentos internamente: transformar as riquezas naturais do país em valor local, fomentando fábricas, empregos, renda e tecnologia em cada região de atuação.
- Recuperar a terra desnutrida: levar para o campo inovações voltadas ao solo, ao clima e aos desafios específicos do Brasil, promovendo a recuperação de pastagens e o aumento da eficiência produtiva.
- Tornar a pegada ambiental mais leve: reduzir o impacto de toda a cadeia produtiva através de energia renovável (para a amônia verde), economia circular (biometano e fosfogesso) e logística otimizada.
- Liderar a próxima revolução verde: consolidar o Brasil, que já é referência em agricultura tropical, também na vanguarda das tecnologias de nutrição e inovação agrícola.
- Consolidar o futuro desenhado: renovar o compromisso histórico de mais de setenta anos do Sinprifert e de suas associadas com a industrialização, materializando as diretrizes traçadas pelo Plano Nacional de Fertilizantes.
A manifestação encerra-se com um apelo à união da sociedade e dos setores produtivos, defendendo que o Brasil assuma o protagonismo do próprio destino e garanta as condições necessárias para cumprir sua vocação de alimentar o mundo com autonomia.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



