Brasil exporta menos sacas de café, mas aumenta receita após saída dos EUA em agosto
Menor disponibilidade do produto e tarifaço dos EUA impactam desempenho

O Brasil exportou 3,144 milhões de sacas de 60 kg de café em agosto, queda de 17,5% na comparação do mesmo mês do ano passado. No entanto, a receita cresceu 12,7%, saltando para US$ 1,101 bilhão. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (9) no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores Café do Brasil (Cecafé).
A queda nas exportações já era esperada devido a menor disponibilidade de café e impulsionado pelo tarifaço de 50% dos Estados Unidos.
“Os EUA deixaram de ser os maiores compradores de nosso café em agosto, descendo para o segundo lugar, com 301 mil sacas importadas – de negócios realizados antes da vigência do tarifaço –, o que implicou queda de 46% ante o mesmo mês de 2024 e de 26% contra julho deste ano. Assim, os americanos ficaram atrás da Alemanha, que importou 414 mil sacas no mês passado”, disse o presidente da entidade, Márcio Ferreira.
Para Ferreira, o tarifaço também afetou o mercado internacional do café, trazendo muita volatilidade aos preços e fazendo com que as cotações disparassem. De 7 de agosto, quando entrou em vigência a taxação, até o fechamento do mês passado, o café arábica subiu 29,7% na bolsa de Nova York, saindo de US$ 2,978 por libra-peso para US$ 3,861.
“Se o tarifaço persistir, além de as exportações de café do Brasil seguirem inviáveis aos EUA, os consumidores americanos também enfrentarão preços onerosos para degustar sua bebida favorita, uma vez que não há oferta de outros países para suprir a ausência brasileira no mercado dos Estados Unidos, criando-se, assim, um cenário inflacionário por lá”, projetou.
Acumulado
Também de acordo com o relatório estatístico mensal do Cecafé, o Brasil embarcou 25,323 milhões de sacas no acumulado entre janeiro e o fim de agosto deste ano, apresentando uma queda de 20,9% na comparação com o volume remetido ao exterior nos mesmos oito meses de 2024. Já a receita cambial é recorde para esse intervalo, saltando para US$ 9,668 bilhões no acumulado de 2025.
“O cenário, tanto em agosto, quanto no acumulado do ano, não é tão distinto, com a queda no volume já esperada, pela menor oferta após os embarques recordes em 2024, bem como maiores ingressos de divisas ao caixa do Brasil devido a maiores cotações internacionais, impulsionados pelo equilíbrio entre oferta e demanda há anos e, agora, potencializados pelo tarifaço”, explicou Ferreira.
Principais destinos
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



