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BDMG anuncia curso gratuito de cafeicultura regenerativa; entenda a diferença para a prática tradicional

Formação online, em parceria com a Embrapa, é destinada a produtores rurais e profissionais de assistência técnica

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Formação em Cafeicultura Regenerativa do ano passado teve Dia de Campo , assim como o próximo que se inicia em 17 de setembro • Divulgação BDMG

Produtores rurais e profissionais de assistência técnica da rede pública e privada de todo o Estado vão gostar da novidade. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados abriram as inscrições para uma capacitação gratuita e online focada em cafeicultura regenerativa.

O tema está na ordem do dia, sendo, inclusive pré-requisito para muitos mercados internacionais. O presidente do BDMG Gabriel Viegas Neto disse que a formação foi realizada no ano passado com muito sucesso, por isso, eles decidiram fazer uma segunda edição. Segundo ele, a cafeicultura regenerativa traz muitas vantagens em comparação com a agricultura tradicional: agrega valor ao produto final, aumenta a competitividade entre os produtores, torna as lavouras mais resistentes às mudanças climáticas e ainda protege o meio ambiente.

No cerrado mineiro, por exemplo, esse conceito se tornou o mantra de alguns produtores rurais. O engenheiro agrônomo Luiz Fernando Vilela, explica que, de um modo geral, o termo  tem um foco na regeneração ecossistêmica, com ênfase em práticas de conservação e regeneração do solo, da água e da biodiversidade, a fim de, entre outras coisas, emitir menos gás carbônico do que as técnicas agrícolas tradicionais.

Essa, cada vez mais em desuso, visa apenas maximizar a produção de alimentos, com o uso intensivo de fertilizantes químicos, pesticidas e adoção de monoculturas. Segundo ele, esse modelo, pode levar rapidamente ao esgotamento dos solos, perda da biodiversidade, poluição das águas e aumento da emissão dos gases de efeito estufa.

Módulos incluem aulas sobre bioinsumos e manejo biológico

As aulas serão conduzidas por pesquisadores da Embrapa, do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (Gaas), da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), e por consultores com experiência reconhecida no tema.

Ao todo, serão sete módulos, com duração total de 40 horas, que incluem aulas sobre bioinsumos, manejo biológico para controle de pragas e doenças, uso de remineralizadores do solo, entre outros temas.

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A programação prevê ainda Dias de Campo que vão acontecer em três regiões diferentes do Estado. Complementarmente ao curso, serão selecionados projetos de transição da cafeicultura tradicional para a regenerativa para que recebam mentoria de especialistas no tema. A capacitação terá início em 17 de setembro, no formato de Ensino à Distância (EAD), e se encerra em novembro, com a entrega de certificado.

Café tem batido recordes de exportação

O café é carro-chefe das exportações do agro em Minas, representando 42% das vendas, segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O volume de exportações do grão cresceu 35% entre janeiro e junho de 2024, chegando a 15 milhões de sacas ou US$ 3,4 bilhões.

Todos os principais mercados importadores registraram aumento superior a 20% na compra do produto e a China se destacou pela alta de 91,5%. Daí, a importância dos produtores estarem cada vez mais preparados para competir internacionalmente.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.