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Itatiaia

Servidores iniciam movimento grevista concentrados em frente ao prédio da Prefeitura de Timóteo

Categoria, que está em campanha salarial, cobra o atendimento das reivindicações colocadas para negociação

Por
Gabriel Barroso

Está sendo realizado em frente à Prefeitura de Timóteo, no Centro Sul, nesta quarta-feira (22), desde as 6h, a greve dos servidores de Timóteo. Conforme já informado pela Itatiaia, a greve foi agendada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Timóteo (SINSEP) na última semana.

Segundo o SINSEP, praticamente todos os setores da prefeitura estão sendo afetados com a paralisando nesta quarta-feira: escolas, setor de obras, farmácias, postos de Saúde e outros setores da administração municipal. Vale destacar que o Hospital e Maternidade Vital Brazil e a UPA de Timóteo funcionam normalmente, mesmo com a paralisação. A reportagem da Itatiaia constatou também nesta manhã que algumas unidades de saúde estão funcionando, mesmo com a paralização de alguns servidores.

“Uma das maiores reinvindicações que a gente está pedindo é a equiparação, o valor do salário-mínimo, que hoje cerca de 630 servidores recebem abaixo. Eles estão com essa perca salarial desde o ano passado. É um desgaste muito grande para quem recebe abaixo do salário-mínimo. A prefeitura faz o complemento para chegar ao mínimo, mas os outros benefícios no seu salário, por exemplo, quem faz hora extra ou recebe insalubridade, não está sendo calculado em cima do salário-mínimo, está sendo em um valor abaixo”, destacou Alan Drumond, Presidente do Sindicato, que ainda destacou que se não houver uma proposta decente para os servidores a paralisação pode se estender ao longo da semana.

Confira a nota completa enviada pela Prefeitura  de Timóteo sobre a greve, após solicitação do jornalismo da Rádio Itatiaia Vale do Aço:

Posicionamento da Prefeitura

Em nota enviada à Itatiaia, a Prefeitura de Timóteo se manifestou sobre a greve dos servidores municipais e o andamento da Campanha Salarial 2026, destacando ações adotadas, justificativas fiscais e defendendo a continuidade do diálogo com a categoria.

Segundo a administração, a proposta apresentada ao Sindicato dos Servidores Públicos (SINSEP) representa “o maior esforço de valorização do funcionalismo dos últimos anos”. Entre as medidas listadas estão reajuste de 4,26% para os servidores em geral — acima da inflação do período, estimada em 3,81% — e aumento de 5,4% para os profissionais do magistério, alinhado ao piso nacional. A prefeitura também citou o pagamento de progressões horizontais já iniciado em março, promoções verticais de forma escalonada e reajuste no vale-alimentação, de R$ 500 para R$ 525.

A nota afirma ainda que há estudos técnicos em andamento para corrigir distorções históricas na estrutura remuneratória. De acordo com o Executivo, o conjunto dessas ações configura o pacote mais expressivo de valorização recente dos servidores municipais.

Sobre as negociações, a prefeitura sustenta que mantém diálogo permanente com o sindicato e que tem acolhido demandas apresentadas pela entidade, como a revisão de possíveis distorções salariais entre classes. O governo municipal informou que encaminhou o projeto de lei com as propostas em regime de urgência, com o objetivo de garantir o pagamento do reajuste já no próximo mês.

Em relação à paralisação na educação, a administração destacou que não vê justificativa para a suspensão das aulas diante da proposta apresentada aos profissionais do magistério. A prefeitura argumenta que a interrupção prejudica principalmente alunos em fase de alfabetização e fez um apelo para a retomada das atividades, ressaltando que o direito à educação é “inegociável”.
No campo fiscal, o Executivo alegou que o município enfrenta queda de receitas, especialmente nas transferências de ICMS, o que impacta o orçamento. A administração reconheceu a necessidade de adequar salários abaixo do mínimo, mas afirmou que mudanças na base da tabela geram efeito cascata nas contas públicas e exigem estudo técnico aprofundado para não comprometer serviços essenciais.
A nota também aborda o papel das instituições no processo, reforçando que a negociação salarial é atribuição do Poder Executivo em conjunto com o sindicato, enquanto à Câmara Municipal cabe a análise e votação do projeto de lei. Segundo a prefeitura, eventual demora na apreciação pode atrasar o pagamento dos reajustes.
Por fim, a administração reiterou que o diálogo com o sindicato segue aberto, condicionou o pagamento do reajuste à aprovação do projeto em regime de urgência e afirmou que continuará tratando pautas mais complexas com responsabilidade técnica, mantendo como prioridade os serviços essenciais à população.