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Julho Verde alerta para prevenção do câncer de cabeça e pescoço; especialista orienta população

Segundo especialista, identificar o câncer ainda nos estágios iniciais permite tratamentos menos agressivos e reduz as sequelas

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Divulgação
O mês de julho é marcado pela campanha Julho Verde, que busca conscientizar a população sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. No Vale do Aço, onde hospitais e clínicas recebem pacientes encaminhados de diversos municípios da região, especialistas reforçam que reconhecer os primeiros sintomas e procurar atendimento rapidamente pode aumentar significativamente as chances de cura.

O grupo reúne tumores que podem surgir na boca, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face e glândulas salivares. Além do risco à vida, a doença pode comprometer funções essenciais, como falar, respirar e engolir.

Segundo o oncologista Dr. Thayles Moraes, identificar o câncer ainda nos estágios iniciais permite tratamentos menos agressivos e reduz as sequelas.

"O câncer de cabeça e pescoço pode surgir em diferentes regiões, como boca, garganta, laringe e cavidade nasal. Quando identificado nas fases iniciais, o tratamento costuma ser menos agressivo e oferece maiores chances de cura, além de reduzir as sequelas decorrentes do tratamento."

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar, a cada ano do triênio 2026-2028, cerca de 17 mil novos casos de câncer da cavidade oral e mais de 8 mil casos de câncer de laringe, dois dos principais tumores que compõem o grupo dos cânceres de cabeça e pescoço.

Tabaco, álcool e HPV estão entre os principais fatores de risco

O especialista explica que o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam sendo os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Nos últimos anos, entretanto, outro fator passou a ganhar importância: a infecção pelo HPV, principalmente o subtipo 16, relacionado aos tumores da orofaringe, região das amígdalas e da base da língua.

"Quando o cigarro e o álcool estão associados, o risco aumenta de forma significativa. Além disso, a infecção pelo HPV, especialmente o tipo 16, também está relacionada ao desenvolvimento de alguns desses tumores, inclusive em pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo."

O médico lembra ainda que a exposição prolongada ao sol aumenta o risco de câncer de lábio e que a má higiene bucal, associada a outros fatores, também pode contribuir para o desenvolvimento da doença.

Sintomas persistentes merecem atenção

Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão por mais de duas ou três semanas, dor para engolir, dor de garganta persistente, caroços no pescoço e sangramentos pela boca ou pelo nariz estão entre os principais sinais de alerta.

Segundo Thayles Moraes, muitas pessoas acreditam que esses sintomas são consequência de uma gripe ou inflamação e acabam adiando a procura por atendimento médico.

"A persistência dos sintomas é o principal sinal de alerta. Principalmente entre fumantes e pessoas que consomem bebidas alcoólicas com frequência, esses sinais precisam ser investigados o quanto antes."

Dados do Governo de Minas mostram que o Hospital Alberto Cavalcanti, referência estadual para esses casos, registrou aumento nos atendimentos relacionados ao câncer de cabeça e pescoço. Apenas no primeiro semestre de 2025 foram realizadas 1.639 consultas, quase 550 a mais do que no mesmo período do ano anterior, reforçando a importância da detecção precoce.

Campanha reforça prevenção

Durante o Julho Verde, a principal orientação dos especialistas é adotar hábitos que reduzam o risco da doença.

"Evite o cigarro, reduza o consumo de bebidas alcoólicas, mantenha uma boa higiene bucal, proteja os lábios da exposição ao sol e incentive a vacinação contra o HPV. Acima de tudo, não ignore sintomas persistentes. Procurar atendimento pode fazer toda a diferença."

No Vale do Aço, pacientes que apresentam sinais suspeitos devem procurar inicialmente a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde passam pela avaliação clínica e, se necessário, são encaminhados para exames e atendimento especializado na rede de referência do Sistema Único de Saúde (SUS).