Incêndio florestal na Patagônia argentina prejudica turismo em plena alta temporada
Com mais de 5.500 hectares destruídos, trabalhadores relatam cancelamentos em massa e temem prejuízos econômicos na região

Um incêndio florestal de grandes proporções na Patagônia argentina tem provocado preocupação entre trabalhadores do turismo, justamente no período mais importante do ano para a economia local. Além dos danos ambientais e humanitários, o avanço das chamas já começa a impactar diretamente a atividade turística, principal fonte de renda de diversas cidades da região.
Até este sábado (10), mais de 5.500 hectares haviam sido consumidos pelo fogo, segundo autoridades locais. O equivalente a cerca de 7.700 campos de futebol.
O incêndio atinge áreas da província de Chubut, localizada próxima a Terra do Fogo, incluindo destinos conhecidos do circuito andino, em meio à temporada de verão, quando a Patagônia recebe milhares de visitantes em busca de trilhas, lagos e paisagens naturais.
Em entrevista ao jornal O Globo, trabalhadores do setor relataram queda abrupta nas reservas e saída antecipada de hóspedes. Agustín Paats, administrador do complexo turístico Aldea de Huemules, localizado entre El Hoyo e Epuyén, contou que a pousada estava praticamente lotada no início de janeiro, mas viu a ocupação despencar com a aproximação do fogo.
“Tínhamos uma ocupação de 90%, total em alguns lugares, em toda a Comarca Andina de Puerto Patriada, El Hoyo, El Bolsón, Lago Puelo. Esperamos o ano todo por esses três meses de verão”, afirmou Paats
O empresário descreveu o cenário como caótico. “Parece uma guerra. As pessoas ficam realmente assustadas quando veem tudo isso ao redor”, disse. Ele lembrou que esta é a segunda temporada afetada por incêndios florestais na região, o que amplia o temor de prejuízos recorrentes.
Turismo na Patagônia
Chipppy, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons">
O turismo é um dos principais motores econômicos da Patagônia argentina. Na última semana, cerca de 3 mil turistas foram retirados preventivamente de Puerto Patriada, área turística localizada a aproximadamente 1.700 quilômetros ao sudoeste de Buenos Aires. A localidade é uma das mais atingidas pelas chamas.
Paats também relembrou um incêndio anterior que atingiu a região anos atrás, quando ele e o pai iniciavam uma de suas primeiras temporadas. Segundo o empresário, apesar das tentativas de conter o fogo com a remoção de material combustível e o uso de água, o incêndio avançou rapidamente e atingiu a vizinhança. Desta vez, ele avalia que o episódio atual está entre os maiores registrados nos últimos anos.
De acordo com autoridades locais, o incêndio começou na segunda-feira nas proximidades de Puerto Patriada e se espalhou rapidamente devido à seca e aos fortes ventos.
O procurador Carlos Díaz Mayer afirmou que o fogo foi iniciado de forma intencional, com uso de acelerante. O governador de Chubut, Ignacio Torres, anunciou uma recompensa de 50 milhões de pesos por informações que levem à identificação dos responsáveis.
A operação de combate envolve cerca de 500 pessoas, entre bombeiros, equipes de resgate, forças de segurança e voluntários. Além do impacto no turismo, ao menos 15 famílias foram deslocadas e mais de dez casas destruídas na região de Epuyén.
Enquanto aguardam a contenção total do incêndio e a chegada da chuva, trabalhadores do turismo tentam lidar com os prejuízos imediatos e a incerteza sobre o restante da temporada.
“É um baque forte, mas vamos nos recuperar”, disse Paats ao O Globo.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



