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Submarino descobre mundo oculto na Antártica e some logo em seguida

Robô capturou imagens inéditas de uma paisagem misteriosa esculpida sob o gelo antes de desaparecer sem deixar rastros na escuridão polar

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Submarino descobre mundo oculto na Antártica e some logo em seguida
Submarino descobre mundo oculto na Antártica e some logo em seguida • Foto: Reprodução

Uma expedição científica na Antártica Ocidental revelou um cenário surpreendente e detalhado escondido sob a plataforma de gelo Dotson. Utilizando um submarino autônomo de última geração, pesquisadores conseguiram mapear o relevo subaquático da região, revelando uma topografia muito mais complexa e ativa do que os satélites conseguem registrar do espaço. No entanto, a missão terminou com um mistério: o veículo desapareceu logo após coletar os dados.

O robô explorador e sua última missão

O protagonista da descoberta foi o Ran, um veículo subaquático autônomo de cor laranja brilhante, projetado especificamente para alcançar locais inacessíveis para seres humanos ou barcos convencionais. Em sua primeira grande incursão, o submarino viajou mais de mil quilômetros de ida e volta sob a plataforma Dotson, avançando cerca de 17 quilômetros na escuridão total da cavidade glacial.

Sem acesso a sinais de rádio ou GPS devido à espessa camada de gelo acima, o Ran dependia exclusivamente de rotas pré-programadas e navegação acústica. Em janeiro de 2024, a equipe de cientistas retornou ao local para repetir o mapeamento e avaliar as mudanças no gelo. Contudo, após realizar o primeiro mergulho, o robô não retornou ao ponto de encontro. Buscas intensas feitas com drones, helicópteros e equipamentos acústicos não encontraram pistas do submarino.

Uma paisagem esculpida pela água morna

Apesar do desaparecimento, o legado do Ran foi salvo: o robô enviou os dados coletados de uma área de aproximadamente 140 quilômetros quadrados na base do glaciar. Longe de ser plana ou uniforme, a parte inferior da plataforma revelou-se um relevo acidentado, composto por terraços, canais profundos e intrigantes reentrâncias em formato de "gotas de lágrima" esculpidas diretamente no gelo.

Anna Wåhlin, professora de oceanografia da Universidade de Gotemburgo e principal autora do estudo (publicado na revista Science Advances), comparou a experiência a "ver o lado oculto da Lua pela primeira vez".

Os dados mostram que o derretimento do gelo não ocorre de forma homogênea. Na Antártica Ocidental, correntes de águas profundas relativamente mais quentes e salgadas entram nas cavidades glaciais e corroem a base da plataforma. O submarino ajudou a explicar, por exemplo, por que a parte ocidental da plataforma Dotson derrete muito mais rápido que o lado oriental: as correntes marinhas mais fortes direcionam mais calor para aquela região específica.

Terraços, fendas e o impacto no nível do mar

As estruturas em formato de terraço se formam onde a água flui mais lentamente, desgastando o gelo em degraus. Já as misteriosas marcas em formato de gota (que variam de 20 a 300 metros de comprimento) estão ligadas ao fluxo turbulento e rotativo da água em contato direto com a base congelada. Além disso, as fendas naturais do gelo funcionam como verdadeiras "rodovias" subterrâneas, canalizando a água morna para o interior da estrutura e acelerando o processo de erosão.

Embora o derretimento de plataformas flutuantes não eleve o nível do mar de forma direta (já que elas já ocupam espaço na água), essas barreiras funcionam como "freios" para as imensas geleiras que estão em terra firme. Se as plataformas enfraquecerem ou colapsarem, as geleiras continentais deslizarão mais rápido em direção ao oceano, o que pode impactar diretamente o nível do mar global, os mapas de inundação e a infraestrutura das cidades costeiras no futuro.

A comunidade científica destaca que os dados inéditos deixados pelo Ran serão fundamentais para corrigir e aprimorar os modelos de computador atuais, permitindo previsões muito mais precisas sobre as mudanças climáticas globais.

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