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Segundo a psicologia, pais que consertam objetos estão fazendo reafirmação de valores

Psicologia aponta que, por trás desse comportamento, existe um significado muito mais profundo do que simplesmente poupar dinheiro

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Veja o que a psicologia explica • Reprodução / Pixabay

Em muitas famílias, a cena é familiar: uma cadeira começa a balançar, o ventilador faz um barulho estranho ou o controle remoto deixa de funcionar. Em vez de substituir o objeto imediatamente, o pai pega uma caixa de ferramentas, examina o problema e tenta consertá-lo. Para muitos filhos, esse hábito pode parecer apenas uma forma de economizar dinheiro. No entanto, a psicologia sugere que há razões muito mais profundas por trás desse comportamento.

Segundo diferentes teorias psicológicas, consertar objetos representa, para muitos pais, uma maneira de reafirmar um papel que desempenharam durante grande parte da vida. A Teoria da Identidade propõe que as pessoas constroem sua percepção de si mesmas a partir dos papéis que consideram importantes. Nesse contexto, muitos homens associam sua identidade à capacidade de proteger a família, resolver problemas e oferecer soluções práticas para o dia a dia.

Cada reparo realizado reforça essa sensação de utilidade. Ainda que não seja expresso em palavras, o gesto transmite uma mensagem clara: ele continua capaz de resolver problemas, contribuir com a família e fazer a diferença na rotina da casa.

Competência, autonomia e satisfação

Outra explicação vem da Teoria da Autodeterminação, desenvolvida pelos psicólogos Edward Deci e Richard Ryan. Segundo essa abordagem, o bem-estar está ligado à satisfação de três necessidades psicológicas básicas: competência, autonomia e conexão.

Ao consertar um objeto, a pessoa coloca suas habilidades em prática, resolve um problema de forma independente e ainda ajuda quem está ao redor. Essa combinação gera uma sensação de realização que vai além da simples economia financeira.

As experiências de vida também ajudam a entender esse comportamento. Muitos pais cresceram em épocas em que o desperdício era desencorajado e objetos eram utilizados até o limite de sua vida útil. Frases como "não jogue fora o que ainda pode ser consertado" fizeram parte da educação de gerações inteiras e contribuíram para a formação de uma cultura de conservação.

Objetos carregam histórias

A psicologia também aponta a influência do chamado Efeito Dotação, estudado por pesquisadores como Daniel Kahneman, Jack Knetsch e Richard Thaler. A teoria mostra que tendemos a atribuir mais valor aos objetos que já possuímos do que a itens equivalentes que ainda não são nossos.

Por isso, uma cadeira antiga pode representar décadas de reuniões familiares, enquanto uma velha caixa de ferramentas pode simbolizar anos de trabalho e dedicação. Nesses casos, consertar um objeto não significa apenas restaurar sua funcionalidade, mas também preservar memórias e histórias importantes.

Uma forma silenciosa de demonstrar afeto

Outro conceito relevante é a Teoria do Apoio Instrumental, segundo a qual algumas pessoas expressam carinho por meio de ações concretas. Em gerações passadas, demonstrações de afeto nem sempre aconteciam por meio de palavras. Muitas vezes, o amor se manifestava em atitudes práticas, como consertar uma bicicleta, trocar uma lâmpada ou reparar uma porta antes mesmo que alguém pedisse ajuda.

Dessa forma, arrumar algo quebrado pode ser, para muitos pais, uma maneira de cuidar da família e demonstrar afeto sem precisar verbalizá-lo.

Um momento de concentração e bem-estar

A atividade também pode proporcionar benefícios emocionais. A Teoria do Fluxo (Flow), desenvolvida pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, sugere que tarefas que exigem atenção, raciocínio e coordenação podem gerar um estado de profunda concentração e satisfação.

Consertar um objeto envolve justamente essas características. Para muitas pessoas, a atividade funciona como uma pausa mental, ajudando a aliviar o estresse e a organizar os pensamentos.

Em uma sociedade cada vez mais voltada para o descarte e a substituição imediata, esse hábito costuma gerar diferenças de percepção entre gerações. Enquanto os mais jovens frequentemente enxergam um objeto quebrado como algo descartável, muitos pais o veem como um problema que ainda pode ser resolvido.

Sob a ótica da psicologia, esse comportamento raramente está ligado apenas à economia. Na maioria das vezes, ele representa uma forma de preservar memórias, manter um senso de propósito e continuar cuidando das pessoas que amam.

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