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Se o Império Romano não tivesse caído, homem teria chegado à Lua no ano 1000, diz historiador

Entenda por que a fragmentação do Império Romano interrompeu avanços em engenharia, estradas e aquedutos até o século XIX

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O declínio e a destruição parcial do Coliseu acompanharam a queda do Império Romano, deixando o monumento em abandono e usado como pedreira para outros edifícios da cidade
O declínio e a destruição parcial do Coliseu acompanharam a queda do Império Romano, deixando o monumento em abandono e usado como pedreira para outros edifícios da cidade • Imagem ilustrativa/Canva

Isaac Moreno Gallo, engenheiro civil e historiador, defende uma tese provocadora: se o Império Romano não tivesse caído, o homem teria chegado à Lua no ano 1000. A afirmação, que ele atribui ao astrônomo Carl Sagan, resume décadas de pesquisa sobre como civilizações perdem conhecimento técnico acumulado.

A fragmentação política que sucedeu o colapso romano criou reinos pequenos demais para financiar técnicos qualificados ou manter infraestrutura complexa. O resultado foi um retrocesso absoluto. Segundo Moreno Gallo, a evolução técnica parou por completo e a humanidade entrou num letargo do qual só saiu no século XIX.

Por que a fragmentação política interrompeu o progresso técnico

A tese de Moreno Gallo aponta a divisão territorial como causa central do colapso tecnológico. Nenhum dos reinos surgidos após a queda tinha recursos para pagar especialistas ou interesse em preservar estradas que conectavam territórios agora rivais.

A consequência foi imediata. Obras que exigiam manutenção contínua entraram em colapso em pouquíssimo tempo. Um acueducto abandonado deixa de funcionar em poucos anos. Uma estrada sem reparos se deteriora quase imediatamente.

Portos sofreram destino semelhante. Uma tempestade rompe um dique e, sem conserto, a próxima destrói toda a instalação. Moreno Gallo explica que tudo isso cabia numa única vida humana. Na Antiguidade tardia, alguém podia ter conhecido o esplendor romano na juventude e presenciado o fim do mundo na velhice.

O que aconteceu com o conhecimento técnico romano

Praticamente nenhum tratado de engenharia civil sobreviveu. O texto de Vitruvio, que trata de arquitetura, dedica apenas dez linhas a um aparato nivelador e se limita a mencionar a existência de outros instrumentos.

Os poucos documentos que chegaram até hoje passaram por sucessivas cópias medievais. Nesse processo, priorizavam-se textos religiosos. Manuais técnicos simplesmente desapareceram.

Por isso, Moreno Gallo defende examinar os restos físicos no terreno. Segundo ele, é preciso conhecer as civilizações por suas obras, não apenas por documentos escritos.

Como eram as estradas romanas e quando elas voltaram

As vias romanas eram preparadas para carros e suportavam tráfego pesado. Não houve carreteiras com esse padrão de novo até meados do século XIX. Na Espanha, os grandes planos de obras públicas só chegaram com Isabel II, depois da criação da Escola de Engenheiros de Caminos.

Do esplendor original, quase nada restou. Conforme relata Moreno Gallo, o que sobreviveu das estradas romanas são pequenos fósseis que indicam a qualidade daquelas estruturas. Ficaram apenas fragmentos mínimos.

Aquedutos, portos e a velocidade da decadência

Moreno Gallo usa sua experiência profissional como engenheiro para explicar o ritmo da degradação. Um aqueduto sem manutenção se estraga em pouquíssimos anos e deixa de transportar água. Uma estrada abandonada se desfaz praticamente de imediato.

Portos enfrentavam destruição ainda mais rápida. Uma única tempestade forte (galerna) rompia um dique. Sem reparos, a próxima tempestade arrasava toda a instalação portuária.

Essa velocidade surpreende quem não trabalha com infraestrutura. Mas a realidade é que obras públicas exigem manutenção constante. Sem ela, o colapso é questão de anos, não séculos.

Quanto tempo a humanidade levou para recuperar o nível perdido

O retrocesso durou mais de mil anos. Moreno Gallo é categórico: "Toda a evolução, toda a técnica, parou e entramos numa letargia em que, em termos técnicos, os homens subiam nas árvores e desciam no século XIX."

A recuperação só começou com a criação de escolas de engenharia e planos sistemáticos de obras públicas no século XIX. Foi necessário reinventar conhecimentos que já existiam na Roma antiga.

O historiador conclui com humildade: quanto mais descobre sobre a engenharia romana, mais distante vê o fim da compreensão completa daquele conhecimento.

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