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Para roupas durarem mais, a ciência indica o ciclo de lavagem ideal

Pesquisa da Universidade de Leeds revela como temperatura e lavagem preservam tecidos

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Para roupas durarem mais, a ciência indica o ciclo de lavagem ideal
Para roupas durarem mais, a ciência indica o ciclo de lavagem ideal • Ekaterina Pereslavtseva

Cientistas da Universidade de Leeds, em colaboração com a Procter & Gamble, descobriram que a combinação mais eficaz para prolongar a vida útil das roupas está em dois ajustes simples: temperatura baixa e ciclo curto. A descoberta veio de um estudo detalhado sobre como a lavagem na máquina causa a liberação de microfibras dos tecidos.

Esses fragmentos microscópicos não apenas enfraquecem o material e aceleram o envelhecimento das peças, mas também transferem tinturas entre roupas e poluem o ciclo da água. O estudo mediu exatamente quanto de fibra e cor cada roupa perde conforme a temperatura sobe e o ciclo se estende, revelando padrões claros de degradação evitável.

Como o estudo mediu o desgaste das roupas na lavagem

A equipe liderada por Lucy Cotton, instrutora de design e autora principal do artigo publicado em 2020 na revista Dyes & Pigments, usou dezenas de camisetas de marcas como Gildan, Russell e Hanes para testes controlados. Todas vieram do mesmo varejista de roupas esportivas do Reino Unido.

As máquinas foram rodadas vazias primeiro para garantir ausência de microfibras residuais. Depois, a água de cada ciclo completo foi coletada, evaporada e seca até restar apenas o material sólido, que foi pesado. Para medir a perda e transferência de cor, os pesquisadores incluíram amostras de tecido receptor em cada lavagem e compararam sua tonalidade antes e depois do processo.

Temperatura e tempo determinam quanto a roupa envelhece

Os resultados foram consistentes em todos os testes realizados com diferentes cores e materiais de camisetas. O ciclo de algodão de 85 minutos a 40°C causou perda de cor significativamente maior do que o ciclo expresso de 30 minutos em água fria.

Segundo o artigo publicado, essas observações comprovam que, em uma situação real de uso doméstico, aumentos na temperatura e na duração da lavagem elevam a perda de cor ao longo de lavagens repetidas. O padrão se manteve tanto em peças de algodão puro quanto em misturas com poliéster.

Por que as cores desbotam e as roupas claras ficam acinzentadas

O estudo também quantificou a transferência de tinturas de roupas escuras para claras, processo responsável pelo efeito de roupas brancas que vão ficando acinzentadas e estampas coloridas que perdem intensidade. Novamente, o ciclo mais longo e quente (85 minutos a 40°C) provocou transferência de cor consideravelmente maior para os tecidos receptores brancos comparado ao ciclo curto e frio (30 minutos em temperatura ambiente).

Os pesquisadores afirmam que as evidências demonstram, em condições reais de lavanderia doméstica, que elevar tempo e temperatura aumenta a migração de tinturas entre peças na mesma lavagem.

Microfibras continuam sendo liberadas lavagem após lavagem

Quanto às microfibras perdidas no processo, a relação foi idêntica: mais calor e mais tempo significaram mais fragmentos liberados, independentemente de o tecido ser algodão ou mistura sintética. O fenômeno persistiu mesmo após múltiplas lavagens.

Os cientistas registraram que, na oitava e na décima sexta lavagem, as peças ainda liberavam quantidades significativas de microfibras. Isso sugere um mecanismo consistente de geração e desprendimento de fragmentos ao longo de toda a vida útil dos tecidos, não apenas nas primeiras utilizações.

Três benefícios do ciclo frio e curto para roupas e ambiente

A conclusão dos pesquisadores aponta para um ciclo de lavagem modificado: mais suave, mais frio e mais curto. Com essa combinação, é possível alcançar três ganhos simultâneos, segundo o estudo.

Primeiro, reduz-se a quantidade de poluição por microfibras que entra no ciclo geral da água. Segundo, diminui-se o desperdício de sabão e energia. Terceiro, reduz-se a pegada de carbono da atividade de lavar roupas em casa, além de preservar a integridade e a aparência das peças por mais tempo.

Detergente para água fria e financiamento corporativo da pesquisa

A parceria com a Procter & Gamble, fabricante que lançou seu primeiro detergente para água fria em 2005 com grande divulgação, levanta questões sobre o financiamento corporativo de pesquisas. A empresa financiou o estudo e incluiu comentários sobre seus detergentes avançados no comunicado à imprensa.

No entanto, a pesquisa foi publicada na revista acadêmica revisada por pares Dyes & Pigments e constituiu o projeto de doutorado de Lucy Cotton. O rigor científico do trabalho permanece validado pela comunidade acadêmica, independentemente da fonte de financiamento.

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