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Novo estudo traz revelações surpreendentes sobre o asteroide que extinguiu os dinossauros

Pesquisa científica identifica o tipo exato do meteorito de Chicxulub e muda a forma como entendemos o fim de 75% das espécies na Terra

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A descoberta também ajuda a reorganizar as peças sobre o que realmente causou a mortalidade em massa • Magnific

Há 66 milhões de anos, a história do nosso planeta mudou para sempre. O choque de um asteroide devastou a vida na Terra e colocou um ponto final definitivo na Era dos Dinossauros. Contudo, uma descoberta recente trouxe um tempero ainda mais impressionante para esse evento catastrófico: a rocha espacial responsável pela tragédia era de um tipo extremamente raro e que quase nunca atinge o nosso planeta.

A revelação veio de uma pesquisa internacional conduzida por cientistas do Canadá, França, Bélgica e Áustria, cujos resultados foram publicados na prestigiada revista 'Science Advances'. Os autores do estudo, Georgy Makhatadze, Frédéric Moynier, Leslie-Anne Brun, Steven Goderis, Philippe Claeys e Christian Koeberl, representam instituições de ponta como a Universidade de Colúmbia Britânica, o Instituto de Física do Globo de Paris, a Universidade Livre de Bruxelas e a Universidade de Viena.

Caçada pela "impressão digital" do asteroide

Há décadas a comunidade científica já sabia que o impacto havia corrido onde hoje fica a Península de Yucatán, no México, formando a famosa cratera de Chicxulub. Também se sabia que o objeto pertencia ao grupo das condritas carbonáceas, rochas espaciais ricas em carbono que representam menos de 5% de todos os meteoritos conhecidos. O grande mistério era identificar qual subtipo específico havia provocado o estrondo, o que impedia os pesquisadores de compreender quais substâncias químicas foram de fato liberadas no momento do choque.

Para resolver a charada, os especialistas buscaram a "impressão digital" química do corpo celeste em uma camada global de argila. Essa marca escura, preservada nas rochas do mundo todo, assinala o exato instante geológico em que os dinossauros sumiram.

A chave do enigma estava no níquel, um metal que varia de proporção conforme o tipo de meteorito. Ao analisar os isótopos de níquel presentes em amostras dessa argila recolhidas ao redor do planeta, os cientistas conseguiram confirmar que o invasor espacial era uma "condrita CO", também conhecida como condrita carbonácea da classe Ornans.

Trata-se de um achado extraordinário. Se as condritas carbonáceas já são raras, compondo apenas 5% dos meteoritos, as do tipo CO representam uma fração minúscula dentro desse grupo seleto. São materiais extremamente primitivos, originados nos confins do Sistema Solar, em regiões próximas a Júpiter ou até mais distantes.

O geólogo Philippe Claeys, da Universidade Livre de Bruxelas e um dos autores do trabalho, destacou a peculiaridade da rocha: "As condritas carbonáceas da classe Ornans definitivamente não são como os meteoritos típicos encontrados nas coleções dos museus."

Poeira na atmosfera foi fatal

A descoberta também ajuda a reorganizar as peças sobre o que realmente causou a mortalidade em massa. Durante muito tempo, acreditou-se que o enxofre liberado pelo impacto teria sido o grande responsável por bloquear a luz solar e gerar chuvas ácidas prolongadas. No entanto, as condritas do tipo CO contêm quantidades muito baixas de enxofre.

Segundo Claeys, essa constatação altera a relevância dos fatores envolvidos no colapso ambiental: "Isso não altera nossa teoria sobre o que causou o evento de extinção, mas torna menos provável que o enxofre contido no impacto tenha sido o fator determinante. Os detritos finos lançados na atmosfera teriam sido o fator primario."

Apesar do avanço, os próprios pesquisadores reconhecem os desafios da investigação. Como o asteroide se vaporizou quase por completo no momento da colisão, restarou apenas uma quantidade ínfima de material impregnado na camada de argila. Identificar a composição da rocha a partir de vestígios tão sutis é comparável a desvendar um crime com pistas quase invisíveis.

Coincidência trágica

A descoberta levantou reflexões intrigantes também fora do grupo principal do estudo. O paleontólogo Rodolfo Coria, ex-diretor da carreira de paleontologia da Universidade Nacional de Río Negro, na Patagônia argentina, comentou o impacto da novidade: "Se tivesse sido outro tipo de meteorito, a extinção teria sido do mesmo nível? Sabemos que a extinção dos dinossauros e de outros táxons foi multicausal. Mas vincular uma dessas causas a um tipo de meteorito muito raro seria muita má sorte, como o gol que a equipe da Espanha marcou contra a Seleção da Argentina na partida final da Copa de Futebol no último domingo."

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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