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No ar em 'Quem Ama Cuida', Letícia Colin criticou outra novela que fez na Globo

Em entrevista de 2025, atriz paulista reflete sobre privilégio branco e admite que personagem baiana deveria ter sido interpretada por alguém da região

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Leticia Colin, como Adriana em 'Quem Ama Cuida' • Globo/ Manoella Mello

Em 2018, Letícia Colin viveu Rosa em Segundo Sol, novela ambientada em Salvador que marcou sua trajetória. Ela passou tempo na Bahia para a composição e a personagem cresceu na trama. Mas em entrevista concedida em 2025 ao canal "Quem é Você Nesse Rolê?", a atriz paulista fez uma reflexão pública surpreendente: criticou a própria escalação.

Ela admitiu que o papel deveria ter sido de uma atriz nordestina. A declaração abre um debate essencial sobre representatividade, privilégio racial no audiovisual e a responsabilidade ética de recusar trabalhos quando eles não correspondem à identidade do intérprete.

O que Letícia Colin disse sobre seu papel em Segundo Sol

A atriz relembrou a personagem Rosa ao responder qual entrevista antiga ela mudaria hoje. Reconheceu que a composição foi importante para sua carreira: "Eu fazia a Rosa, que era de Salvador e fez muito sucesso. Foi ótimo para o meu trabalho, porque fiz uma composição grande, de sotaque, de comportamento, passei um tempão na Bahia, e a personagem foi crescendo na trama."

Mas a conclusão foi direta. "Hoje, eu criticaria. Lembro que fiquei muito feliz na época, mas acho que esse lugar deveria ser de uma atriz de lá, nordestina, que tivesse a ver com essa personagem."

Segundo Letícia Colin, "a gente não pode fazer qualquer papel". Ela admitiu: "Já defendi que a gente pode fazer qualquer papel, mas a gente não pode fazer qualquer papel."

Por que recusar um papel é um ato de responsabilidade

A atriz descreveu o dilema que muitos profissionais enfrentam: dizer não a um trabalho significa menos espaço numa carreira marcada por instabilidade. "É um 'não' para você ter menos espaço", explicou.

Mas ela destacou o privilégio branco como fator decisivo. "Sendo uma mulher branca, cheia de privilégios, a gente precisa assumir esse 'não'", afirmou.

A fala resume a tensão entre ambição profissional e responsabilidade ética: saber quando um papel não deve ser seu, mesmo que você tenha talento para interpretá-lo. "Eu queria ter conseguido agir diferente naquele momento e dizer: 'Eu quero fazer, porém não é o certo'."

O problema de representatividade em Segundo Sol

A novela de João Emanuel Carneiro foi bastante criticada na época. A trama se passava em Salvador, mas a maior parte da população da Bahia é negra e a maioria dos personagens, principalmente os protagonistas, eram brancos.

Segundo Sol foi criticada pela baixa representatividade de atores nordestinos de elenco. Adriana Esteves, Giovanna Antonelli, Deborah Secco, Emílio Dantas e Vladimir Brichta formavam o núcleo central, todos de outras regiões do país.

A questão transcende sotaque ou habilidade técnica. Trata-se de quem tem direito de contar histórias sobre determinados territórios e identidades. Quando atores de outras regiões ocupam papéis ambientados em contextos regionais específicos sem a presença proporcional de atores locais, perpetua-se invisibilidade estrutural.

Identidade regional no audiovisual brasileiro

Letícia Colin conectou sua crítica a um debate sobre responsabilidade no casting. Ela reconheceu que defendia a liberdade total de interpretação, mas reavaliou essa posição ao considerar o impacto das escolhas de elenco.

O casting não é apenas técnico. Escolher quem interpreta personagens de regiões específicas define quem ganha visibilidade, quem constrói carreira, quem acessa os cachês principais.

A atriz foi clara ao afirmar que, apesar do desejo de fazer o papel, reconhece hoje que ele deveria ter sido de uma atriz nordestina que tivesse conexão real com aquela identidade regional.

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