Neurologista revela hábitos que ajudam a manter o cérebro jovem e saudável
Especialista afirma que exercícios físicos, alimentação equilibrada e novos aprendizados podem reduzir o risco de doenças neurodegenerativas

O cérebro humano pode envelhecer mais lentamente do que se imaginava. Segundo o neurologista Majid Fotuhi, professor associado da conceituada Universidade Johns Hopkins, hábitos simples do cotidiano têm potencial para preservar a memória, fortalecer conexões neurais e até aumentar áreas cerebrais importantes ligadas ao raciocínio e à tomada de decisões.
Em entrevista repercutida pelo jornal The Washington Post, o especialista explicou que o cérebro começa naturalmente a perder volume entre os 30 e 40 anos. No entanto, esse processo pode ser desacelerado e, em alguns casos, parcialmente revertido com mudanças no estilo de vida.
"O cérebro é, em muitos aspectos, como um músculo: quanto mais se usa, mais grande e forte se torna", afirmou Fotuhi.
De acordo com o neurologista, a redução do volume cerebral tende a se intensificar após os 70 anos e pode ser ainda mais acentuada em pessoas com Alzheimer e outros tipos de demência. Esse encolhimento acontece por causa da perda de conexões entre neurônios e da diminuição gradual das células nervosas.
Exercício físico
Entre os hábitos considerados mais eficazes para proteger o cérebro, o médico destaca a prática regular de exercícios físicos. Segundo ele, atividades aeróbicas ajudam a estimular a produção de BDNF, proteína relacionada ao crescimento de novas células cerebrais.
"O exercício é talvez a forma mais eficaz de aumentar o tamanho do córtex e do hipocampo", disse o especialista.
Além das atividades físicas, Fotuhi recomenda desafiar constantemente a mente com novos aprendizados. Estudar um idioma, praticar malabarismo, aprender um instrumento musical ou até desenvolver novas habilidades podem estimular as sinapses e fortalecer a plasticidade cerebral.
Sono e meditação
Outro ponto importante citado pelo neurologista é a qualidade do sono. Durante a noite, o cérebro elimina resíduos metabólicos acumulados ao longo do dia, processo essencial para manter o funcionamento saudável do organismo.
Fotuhi alertou ainda para os riscos da apneia do sono. Segundo ele, a condição pode acelerar a perda de volume cerebral quando não tratada.
"Quando a apneia do sono não é tratada, o cérebro encolhe. Mas quando é tratada com uma máquina CPAP, o cérebro volta a crescer", afirmou.
A meditação também aparece entre os hábitos recomendados. O especialista explica que a prática ajuda a reduzir os níveis elevados de cortisol, hormônio associado ao estresse crônico, além de favorecer o fluxo sanguíneo cerebral.
Dieta mediterrânea
Na alimentação, Fotuhi afirma seguir uma dieta baseada no padrão mediterrâneo, considerado por ele um dos mais benéficos para a saúde cerebral. O neurologista evita alimentos ultraprocessados e prioriza frutas, verduras, aveia, peixes, iogurte grego, legumes e azeite de oliva.
Segundo o médico, diversos estudos associam a dieta mediterrânea a cérebros biologicamente mais jovens e a menor risco de doenças neurodegenerativas.
No café da manhã, ele costuma consumir aveia com leite, banana e uvas-passas. Em outras ocasiões, opta por omeletes com vegetais. Já no almoço e jantar, peixes, vegetais e proteínas magras aparecem com frequência.
O neurologista também revelou consumir frutas ao longo do dia e pequenas porções de chocolate amargo, alimento que, segundo ele, pode estimular substâncias importantes para o funcionamento cerebral.
Além da alimentação e da atividade física, Fotuhi destaca que manter um propósito de vida, controlar o estresse e preservar relações saudáveis também contribuem para um envelhecimento cerebral mais saudável.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



