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Mercedes admite: botões físicos são melhores e carros têm telas demais

Fabricante reconhece o que é mais seguro e fácil de usar

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Mercedes admite botões físicos são melhores e carros têm telas demais
Mercedes admite botões físicos são melhores e carros têm telas demais • Foto: Unsplash

Durante uma década, a Mercedes-Benz seguiu a tendência da indústria automotiva: transformar o interior dos carros em extensões de smartphones. Botões desapareceram, comandos migraram para menus digitais e os ecrãs cresceram até ocupar praticamente todo o painel.

Agora, a marca alemã reconhece publicamente que essa estratégia criou problemas. Magnus Östberg, responsável pelo software da Mercedes-Benz, afirmou que os dados internos da empresa comprovam a superioridade dos botões físicos para muitas funções essenciais de condução.

Quando a tecnologia complica em vez de simplificar

A Mercedes concentrou em ecrãs táteis funções que antes eram acionadas quase instintivamente: ajustar volume, regular a climatização ou acessar configurações de condução. O problema surge quando uma ação simples exige tirar os olhos da estrada, localizar um ícone e navegar por diferentes páginas.

A conclusão da fabricante é direta: facilidade de uso num automóvel não é apenas conforto, é segurança. Cada segundo de atenção desviada da via aumenta o risco de incidentes.

O Hyperscreen e os limites do tablier digital

O sistema MBUX Hyperscreen representa o exemplo mais extremo dessa filosofia. Nos modelos recentes, a Mercedes instalou uma superfície digital contínua que alcançou 39,1 polegadas no novo GLC elétrico, o maior ecrã já utilizado pela marca.

Visualmente impressionante e tecnicamente sofisticado, o Hyperscreen reúne instrumentação, multimídia e conteúdos para o passageiro numa única tela. Mas a empresa percebeu que um habitáculo futurista não deve obrigar o condutor a interagir com uma interface digital para realizar absolutamente tudo.

A própria Mercedes prometia que seus sistemas seriam simples o suficiente para serem usados por "uma criança de cinco anos ou um membro do conselho de administração". A frase pretendia transmitir intuitividade, mas hoje ganha nova leitura: uma interface realmente intuitiva não esconde as funções mais frequentes em submenus digitais.

Botões, rodas e memória muscular voltam ao volante

A mudança não significa abandonar os grandes ecrãs. O Hyperscreen e o sistema MBUX continuarão centrais na proposta tecnológica da marca. O que muda é a forma de interação: os próximos modelos recuperarão mais controlos físicos, incluindo botões, seletores e rodas no volante.

O objetivo é criar equilíbrio entre dois mundos: interfaces digitais para tarefas complexas e comandos táteis para ações que exigem rapidez.

Essa alteração devolve algo que as telas não replicam totalmente: a memória muscular. Depois de algum tempo ao volante, é possível ajustar um botão físico sem olhar para ele. Num ecrã tátil, cada operação requer atenção visual e precisão do toque.

Mudança de rumo atravessa toda a indústria

A Mercedes não está sozinha nesta correção. Vários fabricantes reconheceram que a substituição indiscriminada de botões por superfícies táteis criou problemas de ergonomia e utilização.

A Euro NCAP vai passar a valorizar, nas suas avaliações de segurança, a disponibilidade de comandos físicos para funções essenciais. A partir de 2026, os construtores que quiserem alcançar a classificação máxima terão de garantir acessos diretos e fáceis a elementos como indicadores de mudança de direção, luzes de emergência, limpa-para-brisas e sistemas de assistência.

Não é regresso nostálgico ao passado. É correção baseada numa premissa simples: num carro, nem tudo deve ser tratado como uma aplicação digital.

Por que ecrãs maiores não significam mais luxo

Durante algum tempo, um ecrã maior foi apresentado como sinónimo de modernidade e luxo. A Mercedes reconhece agora que sofisticação também significa tornar o automóvel menos exigente de utilizar.

A tecnologia mais elegante não é necessariamente a que ocupa mais espaço no tablier. É a que faz o necessário, no momento certo, sem obrigar o condutor a pensar demasiado nisso.

Os grandes ecrãs vieram para ficar. Mas os botões físicos, que muitos davam como condenados, estão a regressar com uma justificação difícil de contestar: conduzir continua a exigir atenção à estrada.

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