Laranjas amargas na Argentina atraem interesse internacional e podem ser enviadas ao Vietnã
Professor de química coordena iniciativa que busca amostras da fruta para análise de hesperidina, composto de alta demanda no mercado farmacêutico

As laranjeiras amargas que embelezam o centro de San Pedro, na província de Buenos Aires, na Argentina, inicialmente plantadas com finalidade ornamental, passaram a ganhar destaque em um projeto científico que despertou interesse internacional. As frutas, antes vistas apenas como parte da paisagem urbana, agora são alvo de uma possível negociação com o setor farmacêutico.
Um professor de química local coordena a coleta e o envio de amostras das chamadas “pequenas bolas” de laranja amarga para um laboratório no Vietnã. O objetivo é analisar a presença de hesperidina, flavonoide utilizado na indústria farmacêutica e com alta demanda global.
A fruta precisa ser colhida ainda verde, com cerca de 1,5 a 2 centímetros, fase em que apresenta maior concentração do composto. A exigência, no entanto, tem dificultado o trabalho dos pesquisadores, já que as condições climáticas aceleraram o amadurecimento e reduziram a disponibilidade de frutos adequados na cidade.
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Origem do projeto
O projeto teve origem em atividades desenvolvidas por alunos de uma escola técnica local, no laboratório de química orgânica. Inicialmente voltado a práticas educacionais, o trabalho evoluiu para experimentos com extração de óleos essenciais e reaproveitamento das frutas, incluindo produção de licores, doces e geleias.
Com a divulgação das pesquisas, a iniciativa ganhou visibilidade e passou a despertar interesse de instituições e empresas fora do país. Segundo o professor responsável, o contato inicial chegou a ser considerado suspeito, mas posteriormente foi confirmado o interesse de um grupo ligado a uma fábrica de processamento farmacêutico no Vietnã.
A unidade asiática busca avaliar a viabilidade do uso da fruta em larga escala, com demanda estimada em até 8.000 toneladas anuais. Caso os testes confirmem o potencial do produto local, San Pedro pode passar a integrar uma nova cadeia de fornecimento voltada ao setor farmacêutico.
Diante da escassez de frutos no estágio ideal, foi feito um apelo à população para auxiliar na coleta das amostras restantes. O desafio é garantir o envio dentro da janela adequada de maturação, antes que a fruta perca as propriedades necessárias para análise.
O projeto segue em andamento e depende das próximas semanas para definir se será possível atender às exigências do laboratório internacional e avançar na cooperação científica e comercial.
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



