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Jaguarundi, espécie rara que pode entrar em extinção, emite até 13 ruídos diferentes

Não se sabe exatamente o porquê dos jaguarundis emitirem tantos sons e formas de se comunicar diferentes

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Também conhecido como gato-mourisco, o animal é encontrado em todos os biomas, mas tem baixa densidade populacional
Também conhecido como gato-mourisco, o animal é encontrado em todos os biomas, mas tem baixa densidade populacional • Divulgação / Programa Grande Tumucumaque

A presença de um jaguarundi, também chamado de gato-mourisco, documentada pela primeira vez na Estação Ecológica (Esec) Grão-Pará, na região de fronteira com a Guiana, desperta a curiosidade sobre o animal. O registro ocorreu durante uma etapa de monitoramento intensivo realizada entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Um pequeno animal que mede em média 70 centímetros na fase adulta, com corpo longo, pernas curtas e cabeças redondas e achatadas. Esta descrição parece pertencer às lontras, mas, na verdade, é o conjunto de características do jaguarundi, felino encontrado na América Latina.

O gato-mourisco vive em áreas de planície com vegetação densa para se esconder, inclusive em matagais, pântanos e florestas. Eles se alimentam de presas de pequeno porte, incluindo répteis, pássaros, sapos e peixes.

Uma das características mais interessantes sobre a espécie é que ela pode emitir até 13 ruídos diferentes, incluindo ronronar, gritar, assobiar, ganir e um peculiar chilrear, som que se assemelha ao dos pássaros.

Não se sabe exatamente o porquê dos jaguarundis emitirem tantos sons e formas de se comunicar diferentes, devido ao fato do felino ser recluso e raramente visto na natureza. Estes ruídos, de acordo com pesquisadores que os testemunharam em cativeiro, podem ser usados para marcar território, encontrar parceiros e se comunicar.

Exemplar de jaguarundi no zoológico da Tchéquia • Reprodução
Exemplar de jaguarundi no zoológico da Tchéquia • Reprodução

Perigo de extinção

O gato-mourisco é uma das espécies ameaçadas de extinção encontradas na fauna brasileira. O animal consta no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicado em 2018 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Segundo a publicação, o jaguarundi é considerado "Vulnerável", que considera que uma espécie tem chance maior ou igual a 10% de estar extinta em 100 anos, caso não seja preservada.

Monitoramento e cooperação territorial

A identificação do animal na na Estação Ecológica (Esec) Grão-Pará foi possível graças ao Programa Grande Tumucumaque, um esforço conjunto que envolve o Imazon, o Iepé, o Ideflor-Bio, a Funai e as organizações indígenas Apitikatxi, Apiwa e Tekohara. A iniciativa planeja monitorar a biodiversidade local por 15 anos, cobrindo cerca de 10 milhões de hectares de floresta no Escudo das Guianas, área que abriga espécies raras e é essencial para a proteção de terras indígenas e unidades de conservação vizinhas.

Segundo Jarine Reis, bióloga e pesquisadora do Imazon, o acompanhamento contínuo é vital para compreender os impactos das mudanças climáticas na fauna e fortalecer a proteção do território.

Resultados

O trabalho de campo contou com a participação fundamental de nove monitores indígenas, que receberam treinamento especializado para operar as câmeras de monitoramento. Além do jaguarundi, o balanço parcial da pesquisa identificou 44 espécies de animais, com destaque para onças-pintadas, onças-pardas, antas, tamanduás e tatu-bola.

Até o momento, foram registrados 94 mamíferos e 50 aves cinegéticas na região.

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