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Estudo descobre por que caminhar se torna mais difícil com a idade

Pesquisa analisou a caminhada de 107 pessoas e descobriu que o corpo passa a priorizar o equilíbrio em vez da eficiência dos movimentos à medida que envelhecemos

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Imagem de um idoso • Karoline Barreto/CMBH.

Caminhar pode se tornar mais lento e exigir mais esforço com o avanço da idade. Um estudo realizado por pesquisadores das universidades de Flinders e Canberra, na Austrália, identificou um dos mecanismos que ajudam a explicar essa mudança.

A pesquisa analisou a biomecânica de 107 pessoas saudáveis, com idades entre 26 e 86 anos. Os resultados indicaram que, durante o envelhecimento, o organismo passa a priorizar a estabilidade e o equilíbrio ao caminhar, mesmo que isso reduza a eficiência do movimento.

Por que caminhar fica mais difícil com a idade?

Segundo os pesquisadores, a articulação do tornozelo desempenha um papel importante nesse processo. Com o passar dos anos, o corpo aumenta a rigidez da região para proporcionar maior segurança durante a caminhada.

Esse mecanismo ocorre por meio da chamada cocontração, quando músculos opostos ao redor do tornozelo são ativados simultaneamente. A estratégia ajuda a estabilizar a articulação quando o pé toca o chão, mas também faz com que os músculos gastem mais energia para produzir menos movimento para frente.

De acordo com Cody Lindsay, autor principal do estudo, o organismo passa a favorecer a estabilidade em detrimento da eficiência conforme envelhece. Assim, caminhar pode exigir mais esforço físico e resultar em uma velocidade menor.

Sistema nervoso também influencia a caminhada

Os pesquisadores também identificaram mudanças relacionadas ao sistema nervoso. Segundo Maarten Immink, professor associado envolvido na pesquisa, o organismo adota uma estratégia de “segurança em primeiro lugar”, compensando alterações provocadas pelo envelhecimento.

As mudanças neuromotoras podem aumentar o cansaço durante caminhadas mais longas e dificultar a recuperação do equilíbrio após um tropeço. Pessoas mais velhas também podem perceber maior instabilidade, especialmente ao caminhar em terrenos irregulares.

Exercícios podem ajudar a preservar a mobilidade

Para os pesquisadores, manter o corpo ativo é uma das principais estratégias para preservar a mobilidade e a independência durante o envelhecimento.

A recomendação é realizar atividades físicas regularmente, incluindo exercícios de equilíbrio e coordenação motora. Segundo Lindsay, mesmo pequenas atividades realizadas de forma consistente podem ajudar a manter a segurança e a capacidade de se movimentar por mais tempo.

O estudo reforça, portanto, que a redução da velocidade ao caminhar não está relacionada apenas à perda de força muscular. O próprio organismo modifica a forma de andar para aumentar a estabilidade, tornando o movimento mais seguro, porém menos eficiente.

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