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Esta oliveira tem mais de 3.700 anos e ainda produz azeitonas em Portugal

Conheça a história dessa árvore milenária mais antiga do país, que testemunhou civilizações inteiras e continua viva graças à extraordinária capacidade regenerativa

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Oliveira tem 3.700 anos • Nuno Fox/Reprodução

Na Herdade do Peso, em Vidigueira, há uma oliveira que já estava enraizada quando os fenícios navegavam pelo Mediterrâneo. Estimada em mais de 3.700 anos por pesquisadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), este exemplar é candidato ao título de oliveira mais antiga de Portugal.

A longevidade deste e de outras oliveiras milenárias portuguesas não é coincidência. Segundo especialistas, a espécie combina adaptação excepcional ao clima mediterrâneo com uma capacidade regenerativa que permite ao tronco produzir novos brotos mesmo após milênios de existência.

O método científico que revela a idade das oliveiras milenárias

Pesquisadores da UTAD desenvolveram e patentearam um método matemático capaz de determinar a idade provável de oliveiras antigas. O modelo estabelece relação entre características físicas do tronco, como diâmetro, altura e circunferência, transformando essas medidas em uma espécie de relógio biológico.

Este método científico, criado em colaboração com a empresa Oliveiras Milenares, tem sido aplicado em Portugal e no exterior. A técnica permitiu certificar exemplares em diferentes regiões, incluindo árvores na Espanha e na França.

Na ilha de Menorca, por exemplo, os pesquisadores certificaram uma oliveira com mais de 2300 anos utilizando a mesma metodologia desenvolvida pela universidade portuguesa.

As oliveiras que atravessaram milênios em território português

Por muito tempo, a oliveira de Mouchão, localizada em Abrantes, foi o mais famoso do país. A UTAD estimou a idade em aproximadamente 3.350 anos, o que significa que ele teria sido contemporâneo dos fenícios, celtíberos e romanos.

Este exemplar histórico sobreviveu a invasões, migrações e profundas transformações da paisagem portuguesa. Mesmo depois de milênios expostos às intempéries, o olivo de Mouchão ainda produzia azeitonas em 2022.

Mas um candidato ainda mais antigo foi identificado. A oliveira da Herdade do Peso, em Vidigueira, teve idade estimada em mais de 3.700 anos por meio de avaliação realizada por especialistas em 2021. Este exemplar chegou ao terceiro lugar no concurso Árvore Portuguesa do Ano 2024.

Um grupo de oliveiras com mais de 7.000 anos combinados

A importância da oliveira da Herdade do Peso vai além de um único exemplar excepcional. Segundo comunicado da propriedade, a oliveira milenária mais antigo da herdade se encontra em uma planície onde cresce um conjunto de oliveiras cujas idades somadas superam os 7000 anos.

Esta concentração de árvores milenárias em uma única área reforça a vocação natural da região para a olivicultura. O grupo forma um patrimônio natural de valor histórico e biológico inestimável.

Outras oliveiras milenárias espalhadas pelo país

Portugal abriga centenas de oliveiras com mais de dois mil anos de idade. Alguns ultrapassam os três mil anos, constituindo um patrimônio natural único.

A oliveira de Santa Iria de Azóia teve sua idade estimada em cerca de 2850 anos. O exemplar de Monsaraz foi datado em aproximadamente 2450 anos.

Essas oliveiras milenárias estão distribuídas principalmente ao sul do rio Mondego, embora alguns exemplares também sejam encontrados mais ao norte. Há árvores históricas em Estremoz, Montemor-o-Novo, Lagoa, Beja, Vilamoura, Évora e até no Parque Serralves, no Porto.

Por que oliveiras conseguem viver milhares de anos

José Luís Louzada, pesquisador da UTAD e especialista no método de datação destas árvores, explica que a longevidade das oliveiras reside em extraordinária capacidade regenerativa.

"Um pedaço de tronco, por mais velho que seja, é capaz de produzir novos brotos", afirma o pesquisador. Esta característica permite que a árvore continue "produzindo azeitonas" mesmo após milênios de existência.

Além da regeneração, Louzada atribui a longevidade ao fato de ser uma espécie "muito bem adaptada ao clima mediterrâneo". Esta combinação de resistência excepcional e capacidade de renovação permite que as oliveiras superem a idade de incontáveis gerações humanas.

Em território português, estsas oliveiras estão concentradas "principalmente ao sul do Mondego" e podem, "em teoria", viver "para sempre", segundo o pesquisador.

A aplicação internacional do método português

A UTAD informou ter sido convidada a aplicar seu método científico de pesquisa em outros países. A universidade estudou oliveiras na Espanha e na França, incluindo exemplares em cidades como Bordeaux, Girona e Málaga.

Na ilha de Menorca, território espanhol, a equipe certificou uma árvore com mais de 2300 anos de idade. Esta expansão internacional demonstra o reconhecimento da metodologia portuguesa no estudo de árvores milenárias.

O método desenvolvido pela UTAD estabeleceu-se como referência para a datação científica de oliveiras antigas no contexto mediterrâneo.

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