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Em 1991, elas chegaram em navios vindos da China e agora milhões de mexilhões dourados estão invadindo os rios na América do Sul

Introduzido em 1991, molusco invasor originário da China se espalhou por rios da América do Sul e ameaça ecossistemas e sistemas de captação de água

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Espécie invasora originária da China infestou rios de país latino
Espécie invasora originária da China infestou rios de país latino • Arquivo

Uma espécie invasora originária da China se transformou em um problema ambiental e econômico na Argentina após chegar ao país há mais de três décadas. O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) foi identificado pela primeira vez em 1991, às margens do Rio da Prata, e se espalhou pela América do Sul.

A chegada do molusco está relacionada ao transporte marítimo internacional. Segundo pesquisadores, a hipótese mais provável é que ele tenha sido levado à região na água de lastro dos navios, utilizada para manter a estabilidade das embarcações e posteriormente descartada nos portos de destino.

O primeiro registro ocorreu em Berisso, na província de Buenos Aires, quando pesquisadores encontraram pequenos moluscos presos a superfícies duras na margem do rio. O que parecia uma ocorrência isolada se transformou em uma invasão biológica, favorecida pela rápida reprodução da espécie.

Como o mexilhão-dourado se espalhou pelos rios?

A expansão do mexilhão-dourado foi acelerada. De poucos exemplares encontrados inicialmente, a população chegou a cerca de 30 mil indivíduos por metro quadrado no ano seguinte, segundo dados reunidos pelo pesquisador Gustavo Darrigran. Quatro anos depois, a densidade alcançava até 150 mil moluscos por metro quadrado em determinadas áreas.

A espécie avançou a partir do Rio da Prata e colonizou trechos dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai. Também chegou a outros países da América do Sul, incluindo Brasil e Uruguai.

Em 2019, pesquisadores identificaram o molusco no dique El Cadillal, na província argentina de Tucumán. O registro demonstrou que a espécie também havia alcançado ambientes distantes dos primeiros pontos de ocorrência.

A capacidade de formar colônias densas e a dispersão de larvas microscópicas pelas correntes dos rios contribuem para a expansão. Como essas larvas não são visíveis a olho nu, o deslocamento da espécie pode ocorrer sem ser percebido.

Por que o molusco é considerado uma ameaça?

O impacto do mexilhão-dourado vai além da presença em rios e lagos. O molusco se fixa em pedras, estruturas submersas, cascos de embarcações, tubulações e sistemas de captação de água.

A concentração de indivíduos em instalações industriais e sistemas de refrigeração pode obstruir tubulações e prejudicar o funcionamento de equipamentos. O problema também afeta estruturas utilizadas por plantas de tratamento de água, exigindo medidas de controle e manutenção.

Nos ambientes naturais, o mexilhão-dourado filtra grandes volumes de água para se alimentar e ocupa superfícies que também servem de abrigo para outros organismos. Essa capacidade pode alterar as condições dos ecossistemas e afetar espécies nativas.

Por que é difícil conter a invasão?

Uma das principais dificuldades está no ciclo de vida do molusco. Ele libera larvas microscópicas que permanecem suspensas na água e são transportadas pelas correntes, facilitando a chegada a novas áreas.

A capacidade de reprodução, a formação de colônias numerosas e a dispersão pelas redes fluviais tornam o controle da espécie um desafio para pesquisadores e responsáveis pela gestão ambiental.

Mais de 30 anos após o primeiro registro na Argentina, o mexilhão-dourado continua sendo estudado por seus efeitos sobre a biodiversidade e a infraestrutura. A experiência na região mostra como a introdução acidental de uma espécie em um ambiente fora de sua distribuição natural pode produzir consequências duradouras.

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