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Eles levaram 30 mangustos para uma ilha para combater cobras: erro durou 40 anos

Ilha asiática, que tem cerca de 712 quilômetros quadrados, não possuía defesas naturais contra o novo predador

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Mangustos indianos se tornam problema ao serem inseridos em Porto Rico.
Mangustos • Wikipédia

O Japão levou cerca de 30 mangostas indianas para a ilha de Amami-Oshima, em 1979, na tentativa de controlar as cobras habu e outras pragas. O plano, porém, teve o efeito contrário: os animais se tornaram uma espécie invasora e passaram a ameaçar a fauna nativa.

A ilha japonesa, que tem cerca de 712 quilômetros quadrados, não possuía defesas naturais contra o novo predador. As mangostas começaram a se alimentar de rãs, roedores e outros animais, incluindo o coelho de Amami, uma espécie encontrada apenas em Amami-Oshima e na vizinha Tokunoshima.

População de mangostas chegou a 10 mil animais

O problema cresceu rapidamente. Em 2000, estimava-se que a população das mangostas chegasse a aproximadamente 10 mil indivíduos na ilha.

Naquele mesmo ano, o Japão iniciou um programa para eliminar a espécie invasora. A operação contou posteriormente com uma equipe especializada, os chamados Amami Mongoose Busters, que utilizou armadilhas, câmeras e cães treinados para localizar os animais.

A última mangosta foi capturada em abril de 2018. Mesmo assim, as autoridades mantiveram o monitoramento durante anos para confirmar que não havia mais exemplares vivos na região.

Japão levou quatro décadas para eliminar espécie invasora

Em 2024, modelos científicos estimaram em 99,7% e 98,9% a probabilidade de que a população tivesse sido completamente erradicada. Com base nos resultados, o Japão declarou oficialmente eliminada a espécie invasora da ilha.

A retirada das mangostas também trouxe efeitos positivos para o ecossistema. Cientistas registraram a recuperação de diferentes espécies nativas, incluindo o coelho de Amami e a rata de pelo longo de Ryukyu.

Entre 2011 e 2017, a área de distribuição dessas espécies chegou a aumentar em até 8 quilômetros. Também foram observados sinais de recuperação de diferentes espécies de rãs.

Ilha é Patrimônio Mundial da Unesco

O caso de Amami-Oshima se tornou um exemplo de restauração ecológica em larga escala. A ilha faz parte de um conjunto reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2021, devido à importância de sua biodiversidade.

A história mostra como a introdução de uma espécie para combater determinada praga pode provocar consequências ambientais inesperadas e exigir décadas de trabalho para recuperar o equilíbrio de um ecossistema.

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