Eles enterraram mais de 20.000 pneus no deserto e, duas décadas depois, isso virou negócio
Pneus gigantes usados em caminhões de mineração ficaram anos acumulados no deserto do Atacama

Durante anos, milhares de pneus gigantes utilizados pela mineração foram acumulados e enterrados no deserto do Atacama, no Chile. O material, considerado um problema ambiental, começou a ganhar um novo destino com o avanço das tecnologias de reciclagem.
Em Chuquicamata, uma das principais regiões de mineração de cobre do país, a estatal Codelco chegou a acumular mais de 16 mil pneus fora de uso, alguns com até quatro metros de diâmetro. Agora, parte desse material está sendo recuperada e transformada em produtos que podem voltar à cadeia produtiva.
O que aconteceu com os pneus enterrados no deserto?
Os pneus utilizados pelos enormes caminhões de mineração são conhecidos como OTR. Eles têm dimensões, peso e composição muito diferentes dos pneus convencionais, o que dificultou durante anos a criação de estruturas capazes de processá-los de maneira eficiente.
Sem uma alternativa viável de reciclagem, os pneus acabavam acumulados em grandes áreas ou enterrados, transformando-se em um passivo ambiental no deserto chileno. O cenário começou a mudar com o desenvolvimento de tecnologias específicas para recuperar os principais componentes desses pneus.
Codelco começa a reciclar pneus gigantes
Em 2026, a Codelco passou a processar oficialmente pneus de mineração dentro das exigências da Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP).
As primeiras 47,5 toneladas provenientes de Chuquicamata foram encaminhadas para reciclagem, marcando um novo capítulo na gestão dos resíduos gerados pela mineração chilena. A iniciativa busca transformar um material que durante décadas representou um problema ambiental em uma fonte de matéria-prima.
Como os pneus de mineração são reciclados?
Por causa do tamanho dos pneus, o processo exige equipamentos específicos. O material é cortado e triturado para produzir chips de borracha.
Depois, esse material pode passar por novas etapas de processamento até chegar ao pó de borracha micronizado, que pode ser utilizado novamente como matéria-prima em diferentes aplicações. Dessa forma, um resíduo que antes permanecia abandonado no deserto passa a integrar uma cadeia de economia circular.
Chile amplia reciclagem de pneus de mineração
O país também avançou na instalação de estruturas especializadas para esse tipo de resíduo. Em 2025, foi inaugurada em Antofagasta a planta Michelin Specialty Materials Recovery, apresentada como a primeira instalação do mundo dedicada à reciclagem de pneus gigantes utilizados em mineração. A unidade tem capacidade para processar até 2.200 pneus de 63 polegadas por ano.
A mudança também acompanha metas estabelecidas pela legislação chilena para aumentar a coleta e a valorização dos pneus descartados.
O que muda para o meio ambiente?
O reaproveitamento dos pneus reduz a necessidade de manter grandes volumes de borracha acumulados ou enterrados e permite recuperar materiais que podem retornar à indústria. No caso da mineração, o desafio é ainda maior devido ao tamanho dos pneus utilizados pelos caminhões de grande porte. Por isso, a criação de tecnologias específicas de reciclagem representa uma alternativa para reduzir o impacto ambiental desses resíduos.
De lixo a matéria-prima
O caso de Chuquicamata mostra como um problema que permaneceu durante anos no deserto do Atacama pode ser transformado em oportunidade de reciclagem. Os milhares de pneus que antes eram tratados como resíduos agora começam a ser incorporados a uma cadeia de reaproveitamento, em um processo que combina mineração, tecnologia e economia circular.
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