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Comer menos e caminhar diariamente é o segredo para viver, diz oncologista de 96 anos

Descubra os dois pilares fundamentais que a ciência comprova para aumentar a longevidade: atividade física regular e alimentação moderada, segundo especialista europeu

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Imagem ilustrativa. Especialistas: ‘Caminhar 1 hora por dia, 7 dias por semana, queima 75 mil calorias por ano' • Freepik

Aos 96 anos, Silvio Garattini mantém uma rotina que desafia convenções sobre envelhecimento. O oncologista italiano e fundador do Instituto Mario Negri percorre cerca de cinco quilômetros diários e se levanta da mesa com leve sensação de fome. Esses hábitos simples, sustentados por décadas, tornaram-se objeto de sua própria pesquisa sobre longevidade.

A trajetória de Garattini ilustra um princípio que suas décadas de investigação biomédica confirmam: viver mais e melhor não depende de fórmulas complexas, mas de dois pilares básicos acessíveis a qualquer pessoa. Caminhar todos os dias e comer com moderação são hábitos que a ciência comprova há décadas, mas que muitos ignoram em busca de soluções mais elaboradas.

Por que caminhar diariamente é o primeiro pilar da longevidade

Garattini defende que o movimento regular é a base para conservar a capacidade aeróbica ao longo da vida. Ele próprio mantém o hábito de caminhar cerca de cinco quilômetros por dia, em ritmo suficientemente vivo para manter o condicionamento.

Segundo o oncologista, o intervalo saudável situa-se entre 150 e 300 minutos de atividade física por semana. Ultrapassar esse limite não traz benefícios adicionais significativos para a longevidade.

A chave está na consistência, não na intensidade extrema. Movimentar-se é fundamental, mas os excessos não compensam na equação da expectativa de vida.

Alimentação variada e moderada protege contra acúmulo de contaminantes

O pesquisador defende uma dieta que combine variedade com moderação. Essa estratégia garante o aporte adequado de micro e macronutrientes essenciais ao organismo.

Mas há outro benefício menos óbvio: reduzir a acumulação de contaminantes presentes nos alimentos. Ao comer de tudo, mas em pequenas quantidades, você dilui a exposição a substâncias nocivas concentradas em determinados produtos.

Essa abordagem funciona como proteção de longo prazo, segundo a experiência de décadas do especialista italiano. A variedade não é apenas questão nutricional, mas estratégia de segurança alimentar.

A fórmula 30%-20% que conecta restrição calórica e expectativa de vida

Uma das mensagens centrais de Garattini chama atenção pela objetividade numérica. Ele aponta que estudos associam redução de 30% na ingesta calórica com aumento de até 20% na esperança de vida.

O oncologista defende levantar-se da mesa com ligeira sensação de fome. Essa prática conecta-se diretamente com as pesquisas que relacionam restrição calórica moderada e longevidade saudável.

Sobre o ayuno intermitente, Garattini traz ressalva importante: algumas investigações não encontram diferenças claras entre espaçar refeições e comer livremente. O que determina o resultado é a quantidade total ingerida, não necessariamente a distribuição temporal das refeições.

Comer cinco vezes ao dia não importa tanto quanto as pequenas quantidades

O especialista desmonta um mito popular sobre frequência alimentar. Para Garattini, o relevante não é fazer cinco refeições diárias, mas consumir porções reduzidas.

A obsessão com número de refeições desvia o foco do que realmente impacta a longevidade: o volume total de comida ingerida. Algumas pessoas comem várias vezes ao dia e ainda assim exageram nas quantidades.

A moderação em cada ocasião supera qualquer fórmula rígida de horários. É a contenção consistente, não o cronograma, que faz diferença nos anos de vida saudável.

Prevenção de doenças crônicas começa nos gestos cotidianos

Garattini adverte que muitas enfermidades crônicas estão diretamente ligadas a maus hábitos de vida. Essa realidade tem impacto direto nos sistemas de saúde pública.

O oncologista ressalta que uma parcela significativa dos cânceres poderia ser evitada com mudanças no estilo de vida. A prevenção não começa quando a doença aparece, mas muito antes.

Gestos simples como caminhar mais e comer menos representam a verdadeira linha de defesa. Segundo Garattini, a prevenção efetiva está nas decisões diárias, não em intervenções médicas posteriores.

Por que hábitos simples superam dietas extremas e rotinas impossíveis

A abordagem de Garattini contrasta com modas nutricionais e exercícios extenuantes. Sua mensagem é de acessibilidade: qualquer pessoa pode caminhar diariamente e reduzir porções.

As décadas de pesquisa biomédica do italiano apontam para conclusões práticas, não para fórmulas milagrosas. A longevidade saudável depende de hábitos sencillos e sostenidos no tempo.

A consistência vence a intensidade. Manter dois pilares básicos por anos produz resultados que nenhuma dieta radical temporária consegue alcançar. É a sustentabilidade, não o sacrifício extremo, que determina quem envelhece com saúde.

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