Cigarro e vape aumentam risco de depressão, ansiedade e angústia em jovens
Estudo com mais de 60 mil estudantes dos EUA aponta associação entre o uso de produtos de tabaco e piora na saúde mental

O uso de cigarro comum e eletrônico - popularmente conhecido como vape - pode estar relacionado a um aumento nos casos de ansiedade, depressão e sofrimento emocional entre adolescentes. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Plos Mental Health, com base em dados de mais de 60 mil estudantes dos Estados Unidos. As informações e entrevistas foram obtidas pelo site de notícias Infobae.
Segundo os pesquisadores da Universidade de West Virginia, "os adolescentes que alguma vez consumiram cigarro eletrônico, cigarro comum ou ambos, apresentaram maiores probabilidades de sofrer depressão, ansiedade e angústia psicológica que aqueles que nunca usaram nenhum produto de tabaco".
Apesar de os pesquisadores reforçarem que o estudo tem caráter observacional: ou seja, não prova uma relação de causa e efeito, os resultados reforçam a necessidade de atenção. "O desenho transversal do estudo impede estabelecer causalidade", destacam os autores.
Para o médico Fernando Müller, diretor do projeto Médicos Especialistas em Deixar de Fumar, "a população deveria ter em conta que tanto o cigarro eletrônico como o tabaco de combustão e o consumo dual têm em comum o uso de nicotina aspirada que pode gerar uma intensa dependência". Ele alerta que a nicotina é "ansiogênica" e associada a alterações no humor. "Fumar em qualquer forma afeta a saúde mental e evidencia a chamada patologia dual, que é a coexistência de dependência química e transtornos psiquiátricos", explica.
A professora Stella Chan, da Universidade de Reading (Reino Unido), destaca que "este estudo bem conduzido trouxe evidências sólidas sobre a ligação entre o uso de cigarros e vape e os sintomas de depressão e ansiedade em adolescentes".
Já a pesquisadora Jasmine Khouja, da Universidade de Bristol, ressalta que são necessárias novas pesquisas para entender se o vape, de fato, causa problemas de saúde mental ou se é usado por jovens como forma de enfrentamento emocional.
Como medida preventiva, os autores recomendam campanhas de conscientização e regulamentações mais rígidas sobre o acesso de adolescentes aos produtos de tabaco. Também sugerem estudos de longo prazo para compreender melhor a evolução dessa relação entre consumo e saúde mental.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



