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Cientistas fazem alerta global: mar de algas gigante pode nunca mais desaparecer

Pesquisa indica que o crescimento das algas deixou de depender apenas do clima e passou a se sustentar sozinho

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Caso teve início em 2011 • Fabian Montano Hernandez/Shutterstock

Um estudo científico recente acendeu o alerta internacional ao indicar que a Grande Faixa de Sargaço do Atlântico pode ter se tornado um fenômeno permanente. A extensa massa de algas marinhas ocupa atualmente mais de 8 mil quilômetros quadrados, se espalhando da costa da África Ocidental até o Caribe.

A pesquisa foi conduzida pelo Centro Euro-Mediterrâneo sobre Mudanças Climáticas e concluiu que o crescimento das algas já não depende apenas de fatores climáticos sazonais. Segundo os cientistas, o oceano passou por uma rápida reorganização ecológica que transformou o fenômeno em um ciclo biológico autossustentável.

“É um exemplo impressionante de como o oceano pode se reorganizar muito rapidamente”, afirmou a pesquisadora Annalisa Bracco.

O estudo revelou que as densas camadas de sargaço passaram a abrigar organismos capazes de reciclar nutrientes dentro da própria biomassa. Durante a decomposição, a matéria orgânica libera nitrogênio na água, favorecendo o surgimento de novos brotos e mantendo o crescimento contínuo das algas.

Os pesquisadores apontam que os primeiros sinais da anomalia surgiram em 2011, após ventos intensos levarem nutrientes das profundezas do oceano para a superfície. Desde então, o fenômeno cresceu de forma acelerada e a biomassa total ultrapassou 37 milhões de toneladas em 2025.

Segundo os cientistas, os modelos tradicionais que associavam o avanço do sargaço apenas às correntes marítimas já não conseguem explicar o comportamento atual da vegetação marinha.

Além dos impactos ambientais, o acúmulo de algas afeta o turismo e a pesca em regiões costeiras. Toneladas de matéria orgânica em decomposição se acumulam nas praias, liberando gases de forte odor e dificultando atividades econômicas ligadas ao mar.

A equipe internacional utilizou imagens de satélite para monitorar a expansão das algas ao longo da última década e conseguiu validar modelos matemáticos capazes de prever novos períodos de crescimento. Com isso, autoridades podem planejar ações preventivas, como a retirada das algas ainda em mar aberto, antes que elas atinjam as praias.

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