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Avanço histórico na medicina: jovem com epilepsia rara dá os primeiros passos aos 15 anos

Terapia genética experimental desenvolvida nos Estados Unidos reduz convulsões graves

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jovem com epilepsia grave volta a andar
Medicação passou a ser administrada por meio de injeções na coluna vertebral a cada dois ou três meses • Imagem gerada por IA

Imagine passar toda a infância sem conseguir dar um único passo sozinho e enfrentando dezenas de crises epilépticas por dia. Essa era a rotina de Connor, um adolescente que nasceu com uma condição neurológica extremamente rara e devastadora. No entanto, um avanço científico sem precedentes mudou completamente o rumo de sua história: graças a um tratamento genético feito sob medida para o seu caso, o jovem conseguiu caminhar de forma independente pela primeira vez na vida, aos 15 anos.

De acordo com o relato do site Infobae, os primeiros sintomas apareceram logo após o nascimento de Connor, trazendo complicações neurológicas e sérios atrasos no desenvolvimento motor. Sua mãe, Kelley, compartilhou os momentos difíceis vividos pela família antes de conseguir respostas: "Entre 2 e 3 anos sofria até 50 convulsões diárias".

O diagnóstico definitivo só veio quando o garoto tinha quase cinco anos, após a realização do mapeamento genético do exoma. O exame revelou uma mutação no gene SCN2A, fundamental para a transmissão elétrica entre os neurônios. A notícia, porém, veio acompanhada de um grande balde de água fria na época, como recorda Kelley: "Quando finalmente recebemos o diagnóstico, não existia nenhum tratamento disponível para a sua doença".

A alteração no SCN2A se enquadra na categoria de doenças chamadas nano-raras, que atingem entre uma e trinta pessoas no planeta. A condição provoca crises convulsivas diárias, dificuldades de locomoção, atrasos no aprendizado e problemas gastrointestinais severos.

A esperança ressurgiu quando a família entrou em contato com Stan Crooke, criador da n-Lorem Foundation, uma organização dedicada a desenvolver terapias para doenças ultrarraras. O projeto ganhou força com o envolvimento da equipe médica da Universidade da Califórnia em San Diego, sob a liderança da neurologista pediátrica Olivia Kim-McManus.

Para salvar a qualidade de vida de Connor, os pesquisadores desenharam um tratamento inovador baseado em oligonucleotídeos antissentido. Trata-se de moléculas sintéticas criadas para atuar como um "silenciador", bloqueando exclusivamente a cópia mutada e defeituosa do gene, enquanto mantêm a cópia saudável funcionando normalmente.

A medicação passou a ser administrada por meio de injeções na coluna vertebral a cada dois ou três meses. Os resultados do estudo clínico, publicados na prestigiada revista científica Nature Medicine, foram extraordinários. O tratamento reduziu a frequência das convulsões em 26%, aliviou os problemas digestivos crônicos e permitiu um progresso motor inacreditável: Connor aprendeu a andar sozinho aos 15 anos, superando qualquer expectativa médica para a sua faixa etária.

Além de devolver a mobilidade ao jovem, o estudo provou que esse tipo de tecnologia consegue atuar diretamente sobre o sistema nervoso autônomo, responsável por funções vitais como a digestão e os batimentos cardíacos. Nas palavras de Stan Crooke, "Connor é a primeira demonstração de que um ASO pode abordar problemas no sistema nervoso autônomo".

A médica Olivia Kim-McManus destacou a relevância da conquista para o futuro da ciência, lembrando que "a terapia é projetada especificamente para o diagnóstico genético individual". Essa personalização abre portas para tratar diversas outras enfermidades genéticas consideradas sem cura.

Embora o feito seja motivo de celebração, os cientistas alertam que o tratamento não altera o DNA de forma definitiva. Por isso, Connor precisa continuar recebendo as aplicações periódicas para preservar os ganhos de mobilidade e saúde.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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