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A cidade eleita a melhor do mundo para quem ama livros e tesouros literários

Descubra por que ela conquistou o topo do ranking com 897 roteiros literários, bibliotecas centenárias e livrarias históricas

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Leitura e um cafezinho • Reprodução | Canva

Na igreja de Sant'Agostino, a poucos passos da Piazza Navona, a Biblioteca Angelica preserva um acervo que começou a se formar em 1604. O bispo agostiniano Angelo Rocca determinou que cerca de 20 mil volumes ficassem abertos a qualquer pessoa, sem distinção de origem ou renda.

Essa tradição de democratizar o acesso aos livros colocou Roma no topo do ranking de melhores cidades do mundo para amantes da literatura. O levantamento da Holafly avaliou 50 cidades em categorias ligadas a hobbies de viagem e atribuiu à capital italiana 79,6 pontos na categoria literária, a maior nota do índice.

O que faz de Roma a capital mundial da literatura

A cidade conquistou a primeira posição com uma combinação imbatível de infraestrutura literária. São 897 roteiros literários disponíveis, número que nenhuma outra cidade da lista alcançou.

Além disso, Roma conta com 326 livrarias espalhadas pela cidade e 87 bibliotecas públicas. Esses números refletem séculos de tradição cultural e investimento na preservação do patrimônio literário.

O estudo utilizou dados do Tripadvisor e do OpenStreetMap para avaliar cada destino. Roma também liderou a classificação geral com 67 pontos, impulsionada por uma pontuação de 99,9 em gastronomia.

Biblioteca Angelica e suas raridades de quatro séculos

Considerada uma das bibliotecas públicas mais antigas do mundo, a Angelica foi reformada pelo arquiteto Luigi Vanvitelli no fim do século 18. O espaço preserva sua arquitetura histórica e um acervo de valor inestimável.

Entre as raridades do acervo está um manuscrito da Divina Comédia de meados do século 14. A obra foi produzida poucas décadas depois da morte de Dante Alighieri, o que aumenta seu valor histórico e literário.

A biblioteca mantém viva a missão original de Angelo Rocca de democratizar o acesso ao conhecimento. Qualquer visitante pode explorar suas coleções e mergulhar na história da literatura italiana.

Antica Libreria Cascianelli e três gerações de livreiros

No Largo Febo, também próximo à Piazza Navona, a Antica Libreria Cascianelli comercializa livros antigos desde 1909. Três gerações de livreiros administraram o estabelecimento ao longo de mais de um século.

A livraria ocupa salas onde antes funcionava um ateliê de vestes eclesiásticas. O espaço preserva os painéis de madeira originais, as estantes de vidro soprado e uma porta secreta na terceira sala.

Nas prateleiras convivem obras de medicina, botânica e história romana com primeiras edições raras. O local já recebeu visitantes ilustres como Greta Garbo, Aristóteles Onassis, o escritor Leonardo Sciascia e o papa João XXIII.

Keats-Shelley House e o legado dos poetas românticos

No número 26 da Piazza di Spagna, ao pé da escadaria, a Keats-Shelley House funciona como museu e memorial. O espaço é dedicado a John Keats, Percy Bysshe Shelley e Lord Byron.

Foi nesse prédio que Keats morreu de tuberculose em 23 de fevereiro de 1821, aos 25 anos. A casa-museu preserva a memória do poeta inglês e de seus contemporâneos do movimento romântico.

O acervo inclui manuscritos originais, primeiras edições das obras, a máscara mortuária de Keats e uma mecha de seu cabelo. Entre as peças especiais está um soneto sobre Keats escrito à mão por Oscar Wilde.

Rome for Readers, o passeio em áudio pelos cenários literários

Para explorar a cidade de forma independente, a plataforma VoiceMap oferece o Rome for Readers. O passeio em áudio percorre cerca de 3,4 quilômetros em aproximadamente 90 minutos.

O trajeto começa na Terrazza del Pincio, mirante onde Henry James passava horas escrevendo enquanto observava o movimento da cidade. A rota segue pelo Hotel de Russie, onde Charles Dickens se hospedou em meados do século 19.

O percurso também passa pelo Antico Caffè Greco, tradicional café frequentado por Nikolai Gogol. Cada parada revela histórias de escritores que encontraram inspiração nas ruas de Roma.

Como Berlim e Londres se destacam no ranking literário

Berlim ficou em segundo lugar na categoria com 53,7 pontos. A capital alemã supera Roma em número de livrarias, com 418 estabelecimentos no total, além de 44 bibliotecas e 46 roteiros literários disponíveis.

Londres aparece em terceiro lugar com 49,6 pontos. A capital inglesa lidera o ranking absoluto em número de livrarias, com impressionantes 875 estabelecimentos espalhados pela cidade.

Além das livrarias, Londres oferece cerca de 403 roteiros literários para quem deseja explorar os cenários que inspiraram Shakespeare, Virginia Woolf, Charles Dickens e tantos outros autores britânicos.

As dez melhores cidades do mundo para amantes de livros

O ranking completo da Holafly na categoria literária traz destinos europeus nas primeiras posições. A lista reflete a tradição cultural e o investimento em patrimônio literário de cada cidade.

Viena ocupa a quarta posição, seguida por Barcelona em quinto lugar. Paris, a cidade das luzes e dos cafés literários, aparece em sexto lugar no levantamento.

Praga fica em sétimo, Lisboa em oitavo, Amsterdã em nono e Budapeste fecha o top 10. Cada uma dessas cidades oferece experiências únicas para quem valoriza a cultura literária e deseja conhecer bibliotecas, livrarias e locais frequentados por escritores célebres.

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