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Sua casa está cheia de lagartixas? Saiba o motivo e se você deve se preocupar

Espécie mede cerca de 7 centímetros e se alimenta de pragas como mosquitos e baratas; saiba se elas fazem mal ou bem

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A lagartixa é vilã ou amiga? • Freepik

A lagartixa-de-parede, espécie que mede cerca de 7 centímetros, habita residências brasileiras e desempenha papel importante no controle biológico de insetos. Estes pequenos répteis, presentes em praticamente todo o território nacional, não representam riscos à saúde humana, apesar de causarem desconforto em algumas pessoas.

Quantos tipos de lagartixas existem?

A diversidade destes répteis no território brasileiro é considerável. "Existem no Brasil cerca de 35 espécies. Ao contrário das lagartixas de casa, que escalam paredes por conta das lamelas adesivas nos dedos, outras têm dedos simples e vivem no solo da mata ou em troncos de árvores. A imensa maioria não vive em ambientes antropizados", esclarece o especialista.

No Nordeste brasileiro, podem ser encontradas lagartixas do gênero Phyllopezus. A região amazônica abriga a Thecadactylus rapicauda, que pode atingir até 12 centímetros de comprimento.

O comportamento das lagartixas

As lagartixas seguem um padrão comportamental característico. Permanecem escondidas em locais escuros como frestas, paredes e tetos durante o dia. À noite, saem para caçar e são frequentemente avistadas próximas a fontes de luz, que atraem insetos.

Estes répteis se alimentam de diversos insetos considerados pragas domésticas, como mosquitos (incluindo o Aedes aegypti), baratas, pequenas mariposas, aranhas, escorpiões e traças. "As lagartixas são animais inofensivos, adaptados à vida antrópica", afirma o pesquisador.

A doença da lagartixa

Uma preocupação relacionada a estes animais é a "Doença da lagartixa", nome popular da platinosomose felina. Esta parasitose afeta gatos quando ingerem lagartixas ou outros répteis infectados, causando sintomas como icterícia, vômito, perda de apetite e peso.

Mesmo assim, não gosto delas. O que fazer?

Para quem deseja remover lagartixas de casa sem machucá-las, o especialista recomenda: "O que se pode fazer é apanhá-las e soltá-las em outro local, com cuidado, já que lagartixas têm pele frágil e autotomia caudal, isto é, que se solta facilmente".

As lagartixas "perdem" suas caudas como mecanismo de defesa quando ameaçadas. "A autotomia, o processo de soltar parte da cauda, é uma adaptação para evitar a predação. O predador fica com a cauda, que atrai a atenção por continuar com movimentos reflexos, enquanto o lagarto foge e se salva. Uma nova cauda se regenera", explica Trefaut Rodrigues.

Os mitos sobre as lagartixas

No Brasil existem diversos mitos sobre as lagartixas, principalmente relacionados à toxicidade. "Isto vem das osgas, nome popular das lagartixas em Portugal e que ainda está presente em alguns locais do Nordeste. A ausência de pálpebras nessas espécies, semelhante às cobras, pode ter ajudado a disseminar esse mito", comenta o especialista, acrescentando que há crenças populares como "se uma te morder, só larga quando trovejar, e por aí vai!"

As lagartixas contribuem para o controle natural de insetos indesejados nas residências brasileiras, sendo consideradas benéficas ao ambiente doméstico.

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Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.