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Olivicultura se expande e atinge produção recorde no Sul de Minas

Grupo de trinta produtores da Serra da Mantiqueira colhe mais de setenta e quatro toneladas de azeitonas na safra de 2026.

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Colheita da azeitona no Sul de Minas fechou a safra de dois mil e vinte e seis em ritmo de forte expansão. • Senar/Divulgação

A produção de oliveiras vive uma fase de forte expansão e recuperação no Sul de Minas Gerais. Na safra de 2026, um grupo de 30 produtores locais colheu mais de 74 toneladas de azeitonas em uma área de 46 hectares. O resultado aponta uma evolução expressiva em relação aos anos anteriores, impulsionada por melhorias nas técnicas de manejo e assistência regional.

Esse crescimento ganha destaque quando comparado com a safra de 2025, período em que o clima prejudicou severamente o setor e gerou uma colheita de apenas 2 toneladas em 16 hectares. O volume de 2026 representa também o dobro do registrado em 2024, ano em que a colheita somou pouco mais de 35 toneladas em 45 hectares. O balanço foi apresentado pelo técnico de campo Daniel Fernandes Miranda, gestor do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar.

O projeto de assistência técnica teve início em janeiro de 2025, abrangendo Maria da Fé e outros 13 municípios da Serra da Mantiqueira. Conforme explicou o técnico Daniel Miranda, os produtores enfrentavam um cenário de desânimo na época, motivado pela interrupção no controle de pragas e doenças, além da ausência de podas adequadas. O suporte aos olivicultores dependia majoritariamente de consultorias particulares.

A virada na produtividade ocorreu a partir da implantação de um cronograma rigoroso focado na correção do solo, nutrição das plantas, manejo de poda e combate às pragas. "O grupo teve uma produção bem superior ao ano de 2024. Então esse grupo saiu de 30 e poucas toneladas de azeitonas e pulou para 74 toneladas", destacou Miranda, ressaltando que o acompanhamento mudou as perspectivas de renda das famílias associadas.

Apesar do peso das técnicas de cultivo, o especialista aponta que o fator climático continua sendo o elemento crucial para o sucesso da olivicultura. As plantações de oliveiras exigem, no mínimo, 400 horas — o equivalente a quase 17 dias — com termômetros abaixo de 12 graus Celsius e baixa amplitude térmica. Maria da Fé, reconhecida como a cidade mais fria do estado, preenche esse requisito histórico, mas sofre perdas severas nas safras quando o inverno não atinge a intensidade necessária.

Essa oscilação climática marcou diretamente a experiência prática de produtores da região nos últimos dois anos. Márcio Heleno Junqueira, proprietário de um olival situado entre 1.300 e 1.450 metros de altitude no município de Dom Viçoso, enfrentou uma colheita praticamente nula no ciclo de 2024/2025 devido à falta de frio intenso. Já na temporada deste ano, o manejo técnico associado ao clima favorável permitiu que sua propriedade alcançasse uma produção de 2,6 toneladas de azeitonas.

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Franciele Brígida é comunicadora formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS). Atua como repórter multimídia na Itatiaia Sul de Minas desde 2023.