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Nova diretriz recomenda remédios contra obesidade apenas com mudança de hábitos

Documento da Abeso orienta uso associado a dieta e atividade física e define critérios para indicação

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Obesidade é um problema crescente que pode repercutir na saúde e no desenvolvimento infantil
Obesidade é um problema crescente que pode repercutir na saúde e no desenvolvimento infantil • Pixabay/Reprodução

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) publicou uma nova diretriz que orienta o uso de medicamentos no tratamento da obesidade sempre de forma associada a mudanças no estilo de vida. A recomendação inclui aconselhamento nutricional e prática de atividade física, descartando o uso isolado de fármacos.

O documento reúne 32 recomendações para o cuidado com a obesidade e estabelece critérios para a prescrição de medicamentos. Entre eles, estão o Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m² ou IMC a partir de 27 kg/m² em pacientes com complicações relacionadas ao excesso de gordura corporal. Em situações específicas, a diretriz admite a possibilidade de tratamento mesmo sem considerar o IMC, desde que haja aumento da circunferência abdominal ou da relação cintura-altura associado a complicações clínicas.

Segundo o presidente da Abeso, Fábio Trujilho, o avanço das opções terapêuticas exige maior individualização das decisões médicas. “O médico passou a lidar com um cenário mais amplo, que demanda avaliação cada vez mais personalizada. A diretriz transforma esse avanço científico em orientação prática e amplia a segurança no cuidado dos pacientes”, afirmou.

Elaborado por um grupo multidisciplinar com endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas, o documento organiza as recomendações por classes e níveis de evidência científica. As orientações contemplam diferentes cenários clínicos, como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, apneia do sono e perda de massa muscular.

De acordo com um dos coordenadores da diretriz, Fernando Gerchman, o objetivo é aproximar as recomendações científicas da prática médica. “O documento responde a situações frequentes do consultório, com base em evidências”, destacou. A diretriz também reforça alertas sobre o uso inadequado de substâncias sem comprovação de eficácia e segurança. Entre elas, estão fórmulas manipuladas e produtos que incluem diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais e gonadotrofina coriônica humana (hCG), que não são recomendados para o tratamento da obesidade.

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