Itatiaia

No Março Lilás, Rede Mater Dei acende alerta para câncer do colo do útero

Campanha reforça a importância da vacinação, exame preventivo e cuidado contínuo diante do avanço da doença no Brasil

Por
Freepik

Estamos no Março Lilás, um convite para olhar com mais atenção para a saúde da mulher. Em meio à rotina corrida e aos cuidados que muitas vezes ficam para depois, a campanha reforça um alerta importante: o câncer do colo do útero pode ser prevenido, mas continua atingindo milhares de brasileiras todos os anos.

A estimativa do Instituto Nacional de Câncer é de 19.310 novos casos por ano entre 2026 e 2028, o que mostra que, apesar das campanhas de conscientização e do avanço das informações sobre prevenção, muita coisa ainda precisa melhorar no acesso ao cuidado e na adesão ao rastreamento.

Prevenção ainda falha

O cenário atual revela falhas importantes na prevenção. A vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) ainda não alcança a cobertura esperada. O vírus é a principal causa do câncer do colo do útero, já que alguns tipos de HPV podem provocar lesões que, com o tempo, evoluem para a doença. Além disso, muitas mulheres que estão na faixa indicada para o rastreamento da doença ainda não fazem o acompanhamento preventivo com a regularidade necessária. Com isso, muitos casos deixam de ser identificados nas fases iniciais, quando a chance de evitar o avanço da doença é maior.

Segundo a ginecologista oncológica da Rede Mater Dei de Saúde, Dra. Sálua Calil, estes são os dois pontos centrais nessa realidade: "a baixa cobertura vacinal para HPV, ainda abaixo do recomendado pela OMS, e o rastreamento insuficiente para a população-alvo. Mulheres que não fazem rastreamento conforme recomendado seguem invisíveis para o sistema de saúde até o câncer se instalar", afirma.

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu como meta reduzir a incidência para menos de 4 casos por 100 mil mulheres. Hoje, o Brasil registra cerca de 17 por 100 mil. Para tentar mudar esse cenário, a estratégia internacional passa por três frentes que se completam, a vacinação de meninas até os 15 anos, o rastreamento das mulheres na faixa indicada e o tratamento das lesões precursoras e dos casos já diagnosticados. O problema é que essa engrenagem ainda não funciona de forma plena.

A oncologista Dra. Cristina Pirfo chama atenção para obstáculos que vão além da decisão individual de buscar atendimento. "Além da cobertura vacinal insuficiente, há barreiras logísticas importantes como dificuldade de acesso, baixa oferta de especialistas em locais mais remotos e baixo nível socioeconômico, o que gera vulnerabilidade ainda maior", explica.

Mitos atrasam cuidado

Outro obstáculo importante está na desinformação. Em muitos casos, a mulher deixa de procurar o exame preventivo porque acredita que ele só é necessário quando aparecem sintomas ou porque imagina que, ao estar em uma relação estável, não corre risco. Esse entendimento equivocado acaba atrasando o diagnóstico e reduzindo as chances de identificar alterações antes que a doença avance.

A Dra. Sálua observa que esse é um dos enganos mais comuns no consultório. "O câncer do colo uterino pode demorar anos para se desenvolver e o HPV pode ter sido adquirido em uma relação anterior à atual, por exemplo. Ou seja, ter parceiro único não garante ausência de exposição passada ao vírus", esclarece.

Também pesa o medo em torno da vacina, apesar de sua segurança já ser amplamente reconhecida. "Ela é extremamente segura", reforça a médica. Já a Dra. Cristina Pirfo lembra que muitas pacientes ainda associam um eventual diagnóstico de HPV a julgamentos sobre a vida pessoal, o que dificulta ainda mais a procura por atendimento. "O HPV é extremamente comum e pode permanecer latente por anos, então o diagnóstico não permite determinar quando ocorreu a infecção", explica.

Novo olhar no rastreamento

Nos últimos tempos, uma mudança importante trouxe um novo fôlego para a prevenção da doença. O teste de DNA para HPV foi incorporado aos protocolos oficiais de rastreamento, com cobertura obrigatória pelos planos de saúde. A novidade amplia a capacidade de detecção e pode facilitar a adesão ao acompanhamento, já que, quando o resultado é negativo, o intervalo entre os exames pode ser maior. A Dra. Sálua destaca que “vacina e rastreamento são complementares, não substitutos".

Quando o diagnóstico acontece no estágio inicial, as chances de um tratamento eficaz são muito melhores. Nos quadros mais avançados, o tratamento costuma exigir uma combinação de terapias, o que reforça a importância de descobrir a doença cedo. Por isso, o Março Lilás vai além da lembrança de uma campanha do calendário e se firma como uma oportunidade de recolocar esse assunto no centro da conversa pública.

Cuidado integrado com a saúde da mulher

A discussão também ajuda a ampliar o olhar sobre a saúde da mulher como um todo. Para o mastologista e oncoginecologista da Rede Mater Dei, Dr. Augusto Brandão, esse cuidado precisa ser integrado entre diferentes especialidades. “É um câncer com incidência ainda muito alta no país e que precisa ser visto de forma integrada por todas as especialidades".

Na menopausa, a queda hormonal não aumenta diretamente o risco de tumores ligados ao HPV, mas traz outras condições que também pedem atenção, como as doenças cardiovasculares. Por isso, o cuidado com a saúde da mulher nessa fase ganha um caráter ainda mais multidisciplinar, com participação de áreas como endocrinologia e cardiologia.

O Dr. Augusto Brandão também destaca uma diferença importante em relação ao câncer de mama. Enquanto os tumores mamários podem ter influência hormonal, o câncer do colo do útero não está relacionado a esse fator. Há diferença ainda no perfil de incidência: o câncer de mama tem distribuição mais homogênea, enquanto o de colo do útero atinge com mais força mulheres em situação de vulnerabilidade social, justamente por ser uma doença prevenível com vacina e rastreamento. “As ações de prevenção de ambos devem caminhar juntas”, destaca.

Sobre a Rede Mater Dei de Saúde

Com 45 anos de atuação, a Rede Mater Dei de Saúde mantém um modelo assistencial centrado no paciente, sustentado pela combinação entre cuidado humanizado, uso de tecnologia e governança clínica estruturada. A rede reúne equipes altamente capacitadas e serviços médico-hospitalares voltados a diferentes níveis de complexidade, em um processo contínuo de expansão que busca ampliar o acesso a atendimento qualificado em várias regiões do país.

Para saber mais e garantir saúde e qualidade de vida, clique aqui.