Mater Dei realiza cirurgia pulmonar inédita e devolve autonomia e qualidade de vida a paciente
Procedimento de alta complexidade feito em Belo Horizonte ajudou a recuperar a capacidade respiratória de uma moradora de Varginha, que já tinha dificuldade até para caminhar

Respirar, caminhar poucos metros e conseguir dar conta da rotina sem interrupções são gestos que costumam passar despercebidos até o momento em que deixam de ser simples. Essa era a vida de Luciene Hissae, de 58 anos, moradora de Varginha, no Sul de Minas, antes de ela ser submetida a um procedimento inédito na história da Rede Mater Dei de Saúde. Realizada na unidade Mater Dei Contorno, em Belo Horizonte, a primeira tromboendarterectomia pulmonar (TEP) da Rede representou uma virada no tratamento da paciente e abriu um novo marco assistencial dentro da instituição.
Luciene conviveu por meses com um cansaço intenso e uma falta de ar que avançava de forma progressiva. O diagnóstico inicial foi de embolia pulmonar, mas o quadro não melhorava. Com o passar do tempo, atividades corriqueiras se tornaram difíceis e a limitação passou a afetar diretamente a qualidade de vida. “A cada três passos, ficava sem ar e com o coração acelerado”, relata. A frase resume o impacto de uma condição que, sem o tratamento adequado, compromete profundamente a respiração e a capacidade funcional do paciente.
Quando o ar faltou
Após ser transferida para Belo Horizonte, Luciene passou por investigação clínica no Serviço de Pneumologia da Rede Mater Dei. Sob acompanhamento do Dr. Bruno Horta, coordenador da especialidade, foi confirmado o diagnóstico de hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC), quadro em que coágulos antigos permanecem obstruindo as artérias pulmonares e dificultam a circulação adequada do sangue. Na prática, isso significa um desgaste constante do organismo, com reflexos diretos sobre o coração, o pulmão e a disposição para tarefas simples do dia a dia.
Com esse diagnóstico, a indicação foi pela tromboendarterectomia pulmonar, cirurgia considerada curativa para casos selecionados. O objetivo era retirar a obstrução, reduzir a pressão pulmonar, melhorar a função cardíaca e devolver à paciente a capacidade de respirar com menos esforço. “É uma cirurgia muito delicada, porque retira-se um trombo de dentro da artéria pulmonar. É exatamente ele que provoca o entupimento e impede o paciente de manter atividades simples do dia a dia”, explica Dr. Bruno Horta.
Uma operação delicada
A cirurgia foi conduzida pelo cirurgião cardiovascular Dr. Cláudio Gelape e exigiu uma estrutura altamente especializada. Com duração aproximada de sete horas, o procedimento mobilizou equipe cirúrgica cardiovascular, anestesia do Grupo SAM, especialistas em ECMO e profissionais da terapia intensiva. A atuação integrada foi decisiva em um caso que exigia precisão máxima e coordenação entre diferentes frentes assistenciais.
A complexidade da operação ajuda a dimensionar o tamanho do desafio enfrentado. Para retirar manualmente os trombos aderidos às artérias pulmonares, foi necessário reduzir a temperatura corporal da paciente de 37°C para 20°C e interromper temporariamente a circulação sanguínea. “Os pulmões têm circulação dupla, e por isso é necessária a parada circulatória completa para que o cirurgião consiga acessar os trombos e retirá-los com precisão. O controle rigoroso da temperatura é decisivo para o sucesso da operação”, detalha o especialista.
Mesmo sendo um procedimento raro e muito delicado, a cirurgia transcorreu com resultado positivo e marcou a primeira realização desse tipo dentro da história da Rede Mater Dei.
Esse avanço também está ligado a uma estrutura que a Rede vem consolidando nos últimos anos. O Mater Dei é centro de referência em ECMO em Minas Gerais, terapia de suporte adotada em pacientes com grave comprometimento pulmonar ou cardiopulmonar, dentro de um trabalho que reúne cirurgia cardíaca, cirurgia vascular, terapia intensiva e equipe de enfermagem especializada. A tecnologia caminha junto com a capacidade de reunir profissionais preparados para intervenções de grande exigência clínica.
Recuperação e nova rotina
De volta ao Sul de Minas, Luciene segue em acompanhamento clínico e apresenta evolução favorável, com redução gradual de medicamentos. O processo de recuperação ainda exige atenção, mas a diferença já é percebida na rotina e na forma como ela enxerga os próximos passos. “Depois da cirurgia, comecei a recuperar quase sem incômodos. Eu estava ansiosa para passar por tudo isso, e passou. A cada dia me sinto mais recuperada”, conta.
O caso também reforça uma diretriz que a própria Rede Mater Dei destaca como central no atendimento, a de colocar o paciente no centro de tudo, com inteligência, humanização, tecnologia e governança clínica integradas. Em um momento em que a medicina avança em procedimentos de alta complexidade, histórias como a de Luciene ajudam a mostrar o valor de uma assistência que combina estrutura hospitalar, decisão médica precisa e cuidado contínuo.
Sobre a Rede Mater Dei de Saúde
Com 45 anos de atuação, a Rede Mater Dei de Saúde mantém um modelo assistencial centrado no paciente, sustentado pela combinação entre cuidado humanizado, uso de tecnologia e governança clínica estruturada. A rede reúne equipes altamente capacitadas e serviços médico-hospitalares voltados a diferentes níveis de complexidade, em um processo contínuo de expansão que busca ampliar o acesso a atendimento qualificado em várias regiões do país.
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