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Cinema brasileiro premiado reacende estética dos anos 70 nas telas

Figurinos e fotografia ganham força com filmes que projetam o país no exterior

Cinema brasileiro premiado reacende estética dos anos 70 nas telas • Reprodução / O Agente Secreto

O destaque recente do cinema brasileiro não está só nos prêmios. Ele aparece na imagem. Ainda Estou Aqui, que levou o Oscar de filme internacional, não chamou atenção apenas pela narrativa, mas pelo cuidado visual. O Agente Secreto, que ganhou espaço em Cannes, segue a mesma linha. E quando um brasileiro chega à indicação de melhor fotografia, fica claro que existe algo em comum entre essas produções: o cinema brasileiro voltou a ser reconhecido também pelo que se vê.

Quando o figurino deixa de acompanhar e passa a conduzir

Em Ainda Estou Aqui, o figurino não tenta desaparecer. Ele constrói ambiente. Cores mais quentes, roupas com presença e escolhas que não buscam neutralidade ajudam a situar o espectador sem precisar explicar. Existe uma textura visual que remete diretamente a uma estética mais crua, mais próxima do que se via no cinema dos anos 70.

O mesmo acontece em O Agente Secreto. A construção visual não suaviza. Ela assume contraste, luz mais marcada e composição que valoriza o ambiente. O figurino acompanha essa decisão, com peças que não parecem escolhidas para “combinar”, mas para existir dentro daquele universo.

A fotografia que recoloca o Brasil em outro nível

A indicação de um brasileiro ao Oscar de fotografia não surge isolada. Ela acompanha esse movimento. A imagem deixa de ser apenas registro e passa a ser linguagem. Luz mais dura, enquadramentos menos polidos e uma sensação de realidade que lembra produções de outra época.

Essa aproximação com a estética dos anos 70 não é cópia. É escolha. É um tipo de imagem que não tenta agradar o tempo todo. Ela assume imperfeições, trabalha com contraste e cria identidade.

Por que essa estética voltou a fazer sentido agora

O cinema global vive um momento em que o excesso começa a cansar. Produções muito limpas, muito equilibradas e previsíveis perdem impacto. Nesse cenário, referências mais marcadas ganham espaço.

Os anos 70 oferecem exatamente isso. Um visual que não passa despercebido. Quando o cinema brasileiro entra nesse caminho, ele não apenas acompanha uma tendência. Ele encontra uma forma de se diferenciar.

O que essas produções mostram sobre o momento atual

O reconhecimento internacional recente não veio apenas por histórias bem contadas. Ele veio porque essas histórias são apresentadas com uma identidade visual clara. Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto não tentam parecer universais no sentido genérico. Eles assumem um olhar.

Esse movimento muda o lugar do cinema brasileiro. Ele deixa de ser apenas um participante em festivais e passa a ser observado como alguém que propõe uma forma própria de construir imagem.