Viana tenta apresentar nova PEC sobre Marco Temporal e afirma que STF invadiu competência do Congresso
É a segunda PEC que os parlamentares tentam emplacar desde que o Supremo derrubou Marco. Na semana passada, o senador Hiran Gonçalves protocolou outra Proposta de Emenda à Constituição sobre o mesmo tema

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) está coletando assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê que qualquer mudança na demarcação, atualização e homologação de terras indígenas já demarcadas precisa ser competência exclusiva do Congresso Nacional, retomando assim o debate do Marco Temporal, que foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada. São necessárias 27 assinaturas e o parlamentar coletou 12.
"Minha opinião é de que quem deve resolver as questões constitucionais com relação à demarcação da terra dos índios, com relação a aborto, a questão das drogas, é muito clara, é do Congresso Nacional. O Supremo Tribunal Federal está invadindo nossas competências. No caso específico da demarcação, eu estou em busca das 27 assinaturas para apresentarmos uma nova PEC para que o Congresso decida o que foi validado na Constituição de 1988. Naquela época, democraticamente, com todo o respeito aos indígenas brasileiros, as reservas foram ter marcadas e devem permanecer como está. A questão hoje não é somente manter os limites das reservas desde 1988", afirmou o senador.
O parlamentar cobrou ainda que o parlamento se posicione, sob pena de provocar situações de insegurança jurídica. "A questão agora é de que novas reservas podem ser abertas se determinados grupos indígenas disserem que estavam vivendo em algum território, lá por encontra. Um pedaço qualquer de cerâmica, pode-se dizer que se trata de uma cultura indígena, e aí nós não teremos mais segurança jurídica, não teremos mais segurança sobre propriedade para o agronegócio brasileiro, que é o Brasil que tem dado certo. Eu sou totalmente a favor de que o Congresso se levante, se posicione e deixe claro ao STF que existe independência entre os poderes", completou.
O marco temporal é uma tese jurídica que prevê que os povos indígenas têm direito apenas às terras que ocupavam ou disputavam na data da promulgação da Constituição Federal de 1988 — 5 de outubro de 1988. Os ministros contrários à tese do marco temporal sustentam, em geral, que a própria Carta reconhece o direito das populações indígenas à terra e deve garantir a permanência delas nesses territórios.
Com a derrubada da tese pelo STF, territórios indígenas no Brasil poderão serem ampliados o que causa forte rejeição da bancada ruralista. Como o Supremo Tribunal Federal (STF) é guardião da Constituição e interpretou que o Marco Temporal (limitando as terras indígenas apenas ao que era ocupado em 88) não vale mais, a leitura do parlamentar é que a constituição precisa ser alterada.
Na semana passada, o senador Hiran Gonçalves (PP-RR) apresentou uma PEC, após coletar as 27 assinaturas, para tentar estabelecer a tese de que só podem ser consideradas terras indígenas ocupações registradas até 5 de outubro de 1988.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



