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Vereadores de BH divergem sobre internação compulsória de dependentes químicos

Parlamentares com visão antagônica sobre o tema debateram o projeto aprovado há um mês na Câmara Municipal de BH

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Bruno Pedralva (à esquerda) e Braulio Lara (à direita) discutiram a internação compulsória de dependentes químicos mediados pela jornalista Bertha Maakaroun
Bruno Pedralva (à esquerda) e Braulio Lara (à direita) discutiram a internação compulsória de dependentes químicos mediados pela jornalista Bertha Maakaroun • Reprodução/ Itatiaia no YouTube

O programa Dia a Dia da Política entrevista desta segunda-feira (13) promoveu o debate entre Bruno Pedralva (PT) e Braulio Lara (Novo), vereadores de Belo Horizonte, sobre o projeto de lei (PL) que permite a internação compulsória de dependentes químicos, aprovado na Câmara Municipal da capital mineira em março

 

Mediados pela jornalista e colunista da Itatiaia, Bertha Maakaroun, Pedralva e Lara apresentaram visões distintas sobre o tema. O petista criticou o projeto, que chamou de cópia da lei federal e que não cabe à Câmara de BH debater o assunto.

 

"Não cabe a Belo Horizonte definir um tema que é um tema nacional. Imagina só: a pessoa está usando álcool e outras drogas em Belo Horizonte e existe uma política. Aí ela atravessa a rua, vai para Contagem ou Ribeirão das Neves e é outra política. Isso é um tema nacional, não é uma questão que se resolve na Câmara Municipal, é um debate nacional e tem que ser científico acima de um debate político”, argumentou Bruno Pedralva.

 

O vereador criticou o texto e disse que não há um tratamento milagroso para resolver a dependência química e que a política de internações compulsória não resolve o problema ao tratar os pacientes como presos. 

 

Braulio Lara, autor do projeto, defende o texto como uma forma de aplicar a legislação federal em Belo Horizonte. Segundo o vereador do Partido Novo, a medida é uma forma de encarar a realidade de população em situação de rua e em dependência química na capital mineira. 

 

As pessoas infelizmente estão jogadas nas ruas precisando de tratamento. Tem que ser um assunto abordado. Ele é sensível, mas a gente tem que ter a coragem de encarar a realidade. Não dá pra gente pegar e ficar andando pelas ruas de Belo Horizonte, nas ruas das grandes capitais do do país, mas em especial da nossa cidade, e ver a formação das cracolândias, pessoas que de fato eles já não conseguem nem sequer responder por si. Então, o projeto da internação involuntária e voluntária de dependentes químicos se baseia na lei nacional de drogas, que é uma lei vigente, e busca trazer para Belo Horizonte uma forma de realmente implementar este processo para que seja mais uma das ferramentas para cuidar dessas pessoas”, defendeu o autor do projeto.

 

O projeto foi aprovado pela Câmara de BH em 11 de março na forma de um substitutivo proposto pelo líder de governo, Bruno Miranda (PDT). Em sua nova forma, o tratamento ao dependente químico deve ser ordenado em uma rede de atenção à saúde e retirou do texto a previsão de que um agente das forças de segurança pudesse solicitar a internação compulsória. 

 

O projeto foi enviado à Prefeitura de Belo Horizonte e aguarda pela sanção ou veto de Álvaro Damião (União Brasil).

 

Assista ao debate:

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.