STF encerra fase de testemunhas e se prepara para ouvir Bolsonaro sobre suposto golpe
Último a ser ouvido entre as testemunhas do chamado núcleo 1 da trama golpista é o senador e ex-ministro Rogério Marinho (PL-RN)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para virar uma página decisiva no caso que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado articulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta segunda-feira (2), o colegiado deve encerrar a fase de depoimentos de testemunhas no processo que mira o chamado ‘núcleo crucial’, ou o ‘núcleo 1’, da trama golpista - grupo composto por militares da alta cúpula e ex-integrantes do governo federal.
O último a ser ouvido será o senador e ex-ministro Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e nome de confiança do Planalto durante a gestão passada, quando atuou como ministro do Desenvolvimento Regional.
Marinho foi convocado como testemunha pelas defesas do próprio Bolsonaro e do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e um dos principais acusados de integrar o coração do suposto plano.
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Com a conclusão desta etapa, a ação penal entra na fase dos interrogatórios dos réus — quando os principais investigados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, serão ouvidos diretamente pela Justiça. Também serão interrogados os generais Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos.
Essa é a fase mais sensível do processo. Apesar de terem o direito de permanecer em silêncio, os réus estarão frente a frente com a Justiça. A condução da instrução estará nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Depoimentos complicam Bolsonaro
Ao longo da fase de oitivas, os depoimentos prestados por militares e civis próximos ao governo revelaram bastidores sobre os últimos momentos do governo Bolsonaro.
Enquanto aliados como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador Hamilton Mourão e o ex-ministro Ciro Nogueira minimizaram qualquer intenção golpista — relatando um Bolsonaro abatido que teria aceitado a transição de governo —, outros relatos contradizem essa versão.
Dois ex-comandantes das Forças Armadas confirmaram discussões sobre medidas de exceção e a análise de uma minuta de decreto para impedir a posse de Lula. Já o ex-advogado-geral da União, Bruno Bianco, afirmou que o então presidente questionou se havia possibilidade de reverter o resultado eleitoral por vias jurídicas, em reunião com os comandantes militares.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



