Itatiaia

Relatório da CPMI do INSS aponta lavagem de dinheiro em empresas de Lulinha

Relator aponta repasses milionários e empresas sem estrutura compatível com atividade declarada

Por, Brasília
'Lulinha', um dos filhos do presidente
Lulinha, filho do presidente Lula (PT). • Reprodução | Redes Sociais.

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), afirmou nesta sexta-feira (27) haver indícios de que empresas ligadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teriam sido utilizadas para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

A conclusão consta da leitura do relatório final da comissão, que está sendo lido nesta tarde. O texto aponta incompatibilidades entre a movimentação financeira das empresas e as atividades declaradas pelo empresário filho do presidente da República.

“Tornam imprescindível o aprofundamento da análise sobre a origem e a compatibilidade desses recursos”, afirmou o relator ao tratar das movimentações financeiras.

Segundo o documento, companhias como a LLF Tech e a G4 Entretenimento transferiram mais de R$ 3 milhões a contas pessoais de Lulinha em um período que coincide com o auge das fraudes em descontos associativos no INSS.

O relatório também menciona que as empresas não apresentariam estrutura operacional compatível com os valores movimentados. “Sem qualquer estrutura operacional, funcionários ou equipamentos”, disse Gaspar ao descrever os endereços das empresas.

Gaspar citou ainda a abertura de uma empresa na Espanha, após a mudança de Lulinha para o exterior, sem registro de operações. Para o relator, trata-se de “estrutura jurídica formalmente existente, porém desprovida de atividade empresarial efetiva”.

O deputado afirmou que o conjunto de elementos aponta para um padrão. “Tal padrão de empresa sem operação real [...] evidencia um modus operandi que demanda aprofundamento investigativo”, declarou.

Outro ponto destacado foi a transferência da administração de empresas para a esposa de Lulinha em dezembro de 2025, em meio ao avanço das investigações. Segundo ele, a coincidência “é, no mínimo, eloquente”.

 

O texto também menciona a relação da esposa de Lulinha com a empresária Roberta Luchsinger, investigada no caso e alvo de operação 'Sem Desconto', da Polícia Federal.

Decisão do STF

Durante a leitura, Gaspar criticou decisão do ministro Flávio Dino que anulou a votação em bloco de pedidos de quebra de sigilo aprovados pela CPMI.

A medida beneficiou investigados após pedido de extensão, incluindo Lulinha. Para o relator, a situação levanta preocupação sobre possível “blindagem institucional”.

O relatório pede o indiciamento de mais de 200 pessoas. A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega irregularidades e afirma que ele não tem relação com os fatos investigados.

Sem conseguir a prorrogação, a CPMI encerra os trabalhos oficialmente no sábado (28).

Outro lado

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva criticou a recomendação de indiciamento feita no relatório da CPMI do INSS e afirmou que a medida tem caráter eleitoral.

Em nota, os advogados sustentam que a iniciativa distorce a finalidade de fiscalização do Parlamento e não encontra respaldo nos elementos reunidos pela comissão.

Na íntegra, a defesa afirma:

“A recomendação de indiciamento só revela o caráter eleitoral da atuação do relator, e vulgariza a nobre função de fiscalizar, delegada de forma atípica pela Constituição Federal ao Parlamento brasileiro. Não há um único elemento nos autos que justifique ou fundamente a referida sugestão. Se não fosse trágico, seria cômico. Fábio não tem relação direta ou indireta com os fatos investigados no bojo da CPMI do INSS. O vazamento criminoso de seu sigilo bancário é um elemento que confirma o que a defesa desde o início vem dizendo.”

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio