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Relação de ministra com miliciano no RJ: entenda os motivos da primeira crise no governo Lula 

Nomeada para a pasta do Turismo, Daniela Carneiro é alvo de denúncias logo na primeira semana do novo governo

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Ministra Daniela Carneiro é alvo de denúncias por suposto envolvimento com milícia no Rio de Janeiro
Ministra Daniela Carneiro é alvo de denúncias por suposto envolvimento com milícia no Rio de Janeiro • Ricardo Stuckert

As denúncias envolvendo uma suposta ligação da ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil), com milicianos do Rio de Janeiro, criaram a primeira crise do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na quarta-feira (4), vários ministros ligados ao Palácio do Planalto atuaram para minimizar o problema e bancaram, pelo menos por enquanto, a indicação de Daniela. 

“Não tem nada até aqui, nenhuma repercussão ou materialidade concreta que crie algum tipo de desconforto. Se surgirem coisas novas, aí é outra história, mas até o momento não há nada”, afirmou o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). 

Eleita deputada federal no ano passado, para seu segundo mandato na Câmara dos Deputados, Daniela Carneiro é conhecida como Daniela do Waguinho, em referência ao seu marido, o prefeito de Belford Roxo, Wagner Carneiro (União Brasil). Ela foi convidada para assumir a pasta do Turismo na última semana do ano, após negociações do partido com a equipe de Lula. 

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Parte das acusações tratam de uma denúncia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, em novembro de 2018, que cita a transferência de um carro para a irmã da ministra como contrapartida por benefícios concedidos a um grupo de empresários. 

Denúncia do MP

Segundo o MP, o empresário Jorge Luiz dos Santos Santana comprou um veículo Corolla e transferiu para a irmã de Daniela, Djelany Mote de Souza Machado. A transferência seria uma contrapartida por contratos firmados com a prefeitura de Belford Roxo. Daniela é citada no caso, mas não é alvo da denúncia. O caso é analisado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. 

Outra denúncia que veio à tona após Daniela Carneiro tomar posse no governo Lula é sobre uma foto tirada na campanha de 2018 ao lado do miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura.  O ex-sargento da PM foi chefe do Bonde do Jura, uma milícia acusada de vários assassinatos na Baixada Fluminense. Ele foi condenado a 22 anos de prisão. 

Na época em que tirou a foto com a então candidata a deputada federal, Juracy cumpria regime semiaberto. Ele participava da campanha de Daniela, entregando santinhos ao lado da candidata. Depois, o ex-sargento ganhou uma vaga na prefeitura de Belford Roxo, como diretor do Departamento de Ordem Urbana.  A mulher de Juracy, Giane Prudência, fez campanha para Daniela em 2022. 

Cargos para policiais

Em 2018, Daniela e seu marido Waguinho foram alvos de ação do Ministério Público Eleitoral por suposto abuso de poder político e econômico. A denúncia citou o uso de nomeação em cargos comissionados na prefeitura de Belford Roxo para promover a campanha de Daniela como deputada. A denúncia foi arquivada em agosto de 2019 pelo desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, do TRE-RJ, que considerou que o aumento de nomeações na prefeitura não comprovou o uso eleitoral irregular. 

Uma quarta denúncia envolvendo Daniela Carneiro veio à tona durante a campanha de 2022, quando a candidata a deputada federal Sula do Carmo (Avante) afirmou ter sido agredida por apoiadores de Daniela durante um ato de campanha em Belford Roxo. Uma das pessoas filmadas e identificadas em matéria da TV Globo, foi o policial Fábio Sperendio, que atuava como um dos coordenadores da campanha de Daniela. 

A ministra do Turismo foi procurada pela reportagem da Itatiaia para comentar as denúncias.

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.