'PT não gosta dos evangélicos', diz Carlos Viana ao rebater caso Lagoinha
Senador cita perseguição política; Bia Kicis confirma pedidos de cassação de Lindbergh Farias e Soraya Thronicke

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, comentou nesta terça-feira (31), sobre as investigações envolvendo o envio de recursos a entidades ligadas à Igreja da Lagoinha. Ele afirmou que há uma tentativa de desgaste por motivação ideológica e declarou que o "PT não gosta dos evangélicos”.
Viana contestou o que classificou como distorções sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino. Segundo ele, não houve imposição de prazo nem condenação prévia, mas apenas um pedido de esclarecimento sobre o caminho do dinheiro e sua aplicação.
O senador também rebateu a principal acusação de que teria enviado emenda Pix diretamente para igreja. De acordo com ele, o próprio Dino determinou a abertura de uma investigação separada para apurar a responsabilidade da prefeitura que recebeu os recursos, o que, na avaliação de Viana, reforça que parlamentares não controlam a execução do dinheiro após o repasse.
Ele ainda negou qualquer interferência na destinação final dos valores e disse ter “consciência tranquila”. Afirmou que já destinou recursos para diversas fundações, inclusive ligadas a entidades religiosas, e que nunca houve questionamento anterior. O senador disse que entende estar sendo alvo de perseguição, acusou a existência de denúncias falsas amplificadas pela imprensa e afirmou que os ataques são uma reação ao bom trabalho da CPMI: “Se fosse para fazer tudo de novo, faria exatamente igual”, declarou.
Mesmo sem a aprovação de um relatório final, barrado pela base governista, o senador afirmou que solicitou ao ministro André Mendonça o compartilhamento do material produzido pela comissão. Segundo ele, as investigações continuam no Ministério Público e na Polícia Federal, que já conduz pelo menos 14 inquéritos relacionados aos fatos apurados.
Na Câmara, a deputada Bia Kicis saiu em defesa das comissões parlamentares de inquérito e criticou decisões que, segundo ela, limitam os poderes investigativos do Congresso. A parlamentar afirmou que há uma tentativa de esvaziar prerrogativas como quebra de sigilos e acesso a informações.
Bia Kicis inclusive mencionou pedidos de cassação envolvendo os senadores Lindbergh Farias e Soraya Thronicke, em decorrência da confusão e dos ataques referentes a última sessão da CPMI. Para ela, se as CPIs não puderem exercer plenamente suas funções, “é melhor acabar com esse instrumento”.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
