Por que o governo brasileiro hesitou em chamar o Hamas de terrorista? Entenda
Além de seguir diretrizes da ONU para a classificação, Brasil preside Conselho de Segurança das Nações Unidas e tenta mediar conflito na região

O governo brasileiro recebeu muitas críticas, principalmente de políticos e lideranças da direita, por não ter classificado o Hamas como grupo terrorista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou o ataque a Israel desde o primeiro momento, mas não citou o grupo extremista islâmico. A Moção de Repúdio da bancada petista na Câmara dos Deputados condenou a violência do Hamas, mas também do Estado de Israel. Diante disso, veio a pergunta que não quer calar:
Quais seriam os motivos de o Brasil não classificar o Hamas como grupo terrorista? Na análise da coluna, nos elencamos três:
1. O Hamas não está na lista de grupos classificados como terroristas pela ONU
No sexto dia de conflito, nesta quinta-feira (12), o Itamaraty publicou uma nota dizendo que o Brasil repudia o terrorismo e explicando que na qualificação de entidades terroristas o país aplica as determinações do Conselho de Segurança da ONU, que neste mês é presidido pelos brasileiros. Na lista, segundo o Ministério das Relações Exteriores estão o Estados Islâmico e a Al-Qaeda. Apesar de o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmar que o Hamas é o Estado Islâmico e especialistas afirmarem que estes grupos islâmicos estão todos ligados, o nome do Hamas, segundo o Itamaraty não consta na lista.
2. O Brasil é presidente do Conselho de Segurança da ONU e se coloca como mediador
Como presidente temporário do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil se propõe a mediar o conflito na região. E na condição de mediador, mesmo sabendo que o Hamas tem pouca disposição para negociar, o governo brasileiro tenta abrir um diálogo que possa levar a algum consenso. O Hamas é contra a existência do Estado de Israel, que foi criado em 1948 para abrigar judeus. Antes, a região era ocupada por árabes que ficaram na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, que é controlada pelo Hamas desde 2007. Os palestinos não têm um estado próprio e hoje a chamada Autoridade Palestina, tem sede na Cisjordânia, que é separada fisicamente de Gaza.
3. O PT defende a criação de um Estado Palestino
O Partido dos Trabalhadores defende a criação de um Estado Palestino e o governo entende que a negociação para a paz passa por essa definição. Embora condenem os atos violentos, os petistas entendem que os palestinos, que ocupavam o território antes da criação de Israel, tem direito à resistência e a reivindicação de um estado próprio.
Quem compõe o Conselho de Segurança da ONU?
O Conselho é composto por 15 membros, 5 deles são permanentes e com poder de veto: os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Rússia e China. Os outros dez membros são eleitos pela Assembleia Geral para mandatos de dois anos, são eles: Brasil, Albânia, Equador, Emirados Árabes, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique e Suíça.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
