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Por que Lula não recorreu à Garantia da Lei e da Ordem (GLO)?

“Aí sim, estaria acontecendo o golpe que as pessoas queriam”, disse Lula ao explicar porque não convocou as Forças Armadas após os ataques do último domingo (12).

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Estragos no  Palácio do Planalto
Estragos no Palácio do Planalto  • Rádio Itatiaia

Ao invés de ter decretado intervenção na Segurança Pública do Distrito Federal, o Governo Lula poderia ter recorrido à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), instrumento que pode ser usado pelos chefes de qualquer um dos três poderes para acionar as Forças Armadas em caso de perturbação da ordem pública considerada incontrolável.

Em um café da manhã com a imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explicou porque não usou a GLO, embora essa fosse uma das possibilidades na mesa. “Se eu tivesse feito GLO, eu teria assumido responsabilidade de abandonar a minha responsabilidade. Aí sim, estaria acontecendo o golpe que as pessoas (manifestantes invasores) queriam. ‘Lula deixa de ser governo para que um general assuma o governo’. Quem quiser assumir o governo, dispute uma eleição e ganhe. É por isso que eu não fiz GLO, porque nós tínhamos que fazer a intervenção na Polícia do DF, porque ela é responsável pela segurança do DF. E sabe quem paga eles? Nós! É importante saber que quem paga a Polícia do DF é o governo federal. Portanto, o governo federal tem o direito de fazer a intervenção, se somos nós que pagamos o salário e se eles não cumpriram com a função deles”, explicou o presidente.

O ex-secretário de segurança do Distrito Federal, Anderson Torres, foi afastado e teve prisão decretada. O ex-comandante da PM do DF foi afastado e preso. E o governador Ibaneis Rocha foi afastado do cargo por 90 dias por causa da falha na segurança que gerou a depredação dos prédios dos três poderes em Brasília.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.