Eleição em Minas deve se estender para o 2º turno, avaliam especialistas
Indefinições na corrida pelo Palácio Tiradentes apontam para um cenário de candidaturas pulverizadas na primeira etapa da votação

Em meio às incertezas sobre quem serão os candidatos ao governo de Minas na disputa de 2026, especialistas ouvidos pela Coluna Poder em Minas cravam que a disputa deste ano deve ser decidida em segundo turno.
A tendência vai na contramão do que aconteceu nas disputas pelo Palácio Tiradentes das últimas duas décadas, quando apenas uma vez houve uma segunda etapa de votação.
Desde 2002, apenas um pleito teve dois turnos: em 2018, entre Romeu Zema (Novo) e Antônio Anastasia (então no PSDB).
Para o cientista político Antônio Claret, a prevalência em Minas Gerais de definições das eleições ainda no primeiro turno tem ligação com a formação de grandes coalizões partidárias, grandes consensos, que se formaram em várias disputas.
“Partidos se reúnem em blocos, com muitos recursos, muitos candidatos, muito tempo de TV. Isso faz com que no geral as eleições terminem no 1º turno” destacou”
Exceção em 2018
Na avaliação de Claret, em 2018 a eleição foi decidida em 2º turno porque havia três forças na disputa: o então governador Fernando Pimentel (PT), o então senador e ex-governador Antônio Anastasia, e o até então desconhecido Romeu Zema (Novo), que se aliou ao projeto político do Bolsonarismo e acabou sendo o mais votado no 1º turno.
Na segunda rodada de votação Zema ganhou disparado de Anastasia: 6.963.806 votos (71,8%) contra 2.734.452 (28,2%). “No 2º turno o desfecho foi de larga vantagem. As forças políticas se reorganizaram para levar essa vantagem ao então candidato Romeu Zema”, lembrou o cientista político.
Ele avalia que a tendência é que a disputa de 2026 tenha uma nova quebra da tendência dos últimos 20 anos, com uma eleição pelo governo mineiro se estendendo até o segundo turno.
“Temos, mais uma vez, uma eleição congestionada com forças políticas relevantes que disputam o pleito, podendo levá-lo ao 2º turno”, frisa o especialista.
Claret detalhou exemplos dessas forças políticas: “O candidato e atual governador Mateus Simões (PSD), que, apesar de não ser tão conhecido, tem a máquina pública nas mãos, o que faz uma diferença bastante significativa, e Gabriel Azevedo, que é um jovem, conhecido na Grande BH, tem feito uma pré-campanha bastante interessante nas redes sociais e participa das eleições em um partido bastante consolidado e que tem uma capilaridade muito forte no interior, que é o MDB”, avalia.
“Estamos também contando com a possibilidade de candidatura de Cleitinho (Republicanos) pelo Bolsonarismo, apoiado pelo PL, e também um candidato que ainda não sabemos qual pela força governista do PT”, continua.
O cientista político avalia que as definições partidárias nas convenções podem confirmar o cenário de forças divididas pelo governo estadual: “Estamos às portas das convenções. É possível que esse cenário se confirme. A tendência é que tenhamos então, mais uma vez, e de forma bastante excepcional como a história tem mostrado, 2º turno nas eleições em 2026 em Minas Gerais”.
Indefinição de nomes
Outro especialista que aposta em 2º turno na eleição para governador é o professor, cientista político, Doutor em Ciências Humanas, Rodrigo Lopes. Para ele, isso se deve, principalmente, a indefinições porque alguns partidos e os próprios políticos não confirmaram as candidaturas.
“Nós, eleitores mineiros, ainda não sabemos qual será o pleito, quem serão os postulantes à eleição de governador para 2026. Temos já algumas definições, mas isso não traz um cenário formal e formatado”, afirma Lopes.
Sobre o histórico das últimas duas décadas de várias eleições resolvidas no 1º turno, Rodrigo Lopes destaca alguns fatores: uma cultura mineira de conciliação e de grandes alianças, tanto de candidatos da direita quanto da esquerda, e a quantidade de municípios no Estado, que faz com que pequenos grupos não consigam formar alternativas de poder.
Rodrigo Lopes ainda cita o pragmatismo do mineiro e o chamado voto útil: “Em Minas Gerais, isso é mais acentuado. O eleitor mineiro resolve sempre escolher logo a eleição. No primeiro turno, ele já calcula quem é o vencedor do pleito e acaba fazendo essa escolha já antecipada ali no 1º turno”.
HISTÓRICO DE RESULTADO DE ELEIÇÕES EM MINAS GERAIS NOS ÚLTIMOS 24 ANOS
ELEIÇÕES DECIDIDAS EM 1º TURNO:
2002
- Aécio Neves (PSDB): 5.282.043 votos (57,68%)
- Nilmário Miranda (PT): 2.813.857 votos (30,72%)
2006
- Aécio Neves: 7.482.809 votos (77,03%)
- Nilmário Miranda: 2.140.373 votos (22,03%)
2010
- Antônio Anastasia (PSDB): 6.233.923 votos (62,72%)
- Hélio Costa (MDB): 3.402.639 votos (34,18%)
2014
- Fernando Pimentel (PT): 5.362.870 (52,98%)
- Pimenta da Veiga (PSDB): 4.240.706 (41,89%)
2022
- Romeu Zema (Novo): 6.094.136 votos (56,18%)
- Alexandre Kalil (PDT): 3.805.182 votos (35,08%)
ELEIÇÃO DECIDIDA EM 2º TURNO
2018
- Romeu Zema: 6.963.806 votos (71,8%)
- Antônio Anastasia: 2.734.452 votos (28,2%)
Eustáquio Ramos tem quase 30 anos de carreira, sendo 25 anos na Itatiaia, onde apresenta o Jornal da Itatiaia 1ª Edição e é repórter especial de Política. É pós-graduado em Comunicação Empresarial. Coautor da Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro e do Manual de Pronúncia da Itatiaia. Já teve passagens também pela TV Assembleia, TV Bandeirantes, TV Horizonte, Record, Alterosa e Canal 23.
