Disputa pelo Planalto em 2026 pode ampliar falta de protagonismo de Minas
Há mais de 10 anos o estado tem ficado de fora das principais articulações presidenciais; candidatura de Zema pode interromper sequência

Há mais de 10 anos Minas Gerais não participa das disputas presidenciais e tem seus principais nomes políticos sem protagonismo na disputa presidencial.
A eleição de 2014, quando a então presidente Dilma Rousseff (PT) disputou o Palácio do Planalto com Aécio Neves (PSDB), foi a última em que mineiros estiveram em lugares de destaque na disputa. Os dois mineiros disputaram um apertado segundo turno, com vitória da petista.
Apesar de ter feito carreira política no Rio Grande do Sul, a ex-presidente Dilma é natural de Belo Horizonte, onde morou até o início de sua vida adulta.
Antes de Dilma, Minas Gerais tinha um representante de peso no Palácio do Planalto: o vice-presidente José Alencar, que venceu duas eleições na chapa com Lula, em 2002 e 2006.
Candidatura de Zema
Em 2026, a eleição presidencial deverá contar com a participação do governador Romeu Zema (Novo). No entanto, o político mineiro tem demonstrado dificuldade em crescer nas pesquisas e está sendo cotado para se aliar a alguma chapa como candidato a vice-presidente.
De acordo com levantamentos divulgados até agora sobre a eleição presidencial, o nome do governador não chega a 5% das intenções de voto. E, apesar de dizer que não tem interesse, o nome dele é cotado para ser vice do senador Flávio Bolsonaro, que vai assumir o espólio político do pai, Jair Bolsonaro.
Histórico influente no poder
Durante as décadas de 1960, 1970 e 1980, Minas Gerais esteve no centro do poder em Brasília. De 1979 a 1985, Aureliano Chaves foi vice-presidente no Governo João Figueiredo, o último da Ditadura Militar.
Em 1985, Tancredo Neves (1910-1985), que foi um dos líderes do processo de redemocratização, venceu as eleições presidenciais em votação indireta no Congresso Nacional. Só não administrou o Brasil porque foi internado um dia antes da posse, em março, e faleceu no dia 21 de abril. O vice José Sarney assumiu a Presidência.
Em 1989, já com o voto popular de volta, Itamar Franco (1930-2011) foi candidato a vice-presidente na chapa vitoriosa de Fernando Collor. Itamar assumiu o Governo em dezembro de 1992, depois da renúncia de Collor, que enfrentava um processo de impeachment. Itamar Franco foi presidente até 1994 e teve como grande marca na sua gestão a implantação do Plano Real. A influência e o apoio dele ainda foram decisivos para a eleição à Presidência de Fernando Henrique Cardoso, que foi ministro da Fazenda na criação do Real.
Apesar do prestígio de Itamar Franco para conseguir fazer seu sucessor, Minas Gerais ficou fora do poder durante a gestão de FHC (1995-2002), que teve como vice durante os dois mandatos o pernambucano Marco Maciel (1940-2021).
Retorno no governo Lula
Minas Gerais voltou a ser destaque nacional na eleição presidencial de 2002, quando Lula venceu e tinha como vice o então senador, empresário e ex-presidente da Fiemg, Federação das Indústrias do Estado, José Alencar, que ficou no cargo também no segundo mandato do petista, até 2010. Pela sua influência no meio econômico, Alencar foi escolhido vice para aproximar Lula do empresariado brasileiro.
Em 2010, Dilma Rousseff foi eleita e o vice-presidente era Michel Temer. Dilma nasceu em Belo Horizonte, mas em 1972, aos 25 anos, se mudou para Porto Alegre depois de ser libertada da prisão pela Ditadura Militar. Na Capital do Rio Grande do Sul, fez carreira e foi para Brasília para ser ministra da Casa Civil e de Minas e Energia no Governo Lula.
Após sofrer o impeachment, em 2016, Dilma mudou seu título de eleitor para MG e tentou uma vaga ao Senado Federal em 2018, mas acabou derrotada. Após perder a eleição, a ex-presidente voltou para Porto Alegre.
Nas eleições de 2018 e 2022, a chapa vencedora também não tinha mineiros. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu e teve como vice o general Hamilton Mourão. Quatro anos depois, Lula ganhou a disputa e tem como vice o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A chapa de Bolsonaro em 2022 tinha como vice o general Braga Netto, outro belo-horizontino que fez carreira fora de Minas Gerais.
Nos últimos anos, Minas Gerais esteve presente em um alto cargo da República apenas quando Rodrigo Pacheco (PSD) foi presidente do Senado, de 2021 até 2025.
Eustáquio Ramos tem quase 30 anos de carreira, sendo 25 anos na Itatiaia, onde apresenta o Jornal da Itatiaia 1ª Edição e é repórter especial de Política. É pós-graduado em Comunicação Empresarial. Coautor da Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro e do Manual de Pronúncia da Itatiaia. Foi ganhador do 4º Prêmio CDL-BH de Jornalismo. Já foi homenageado, entre outras condecorações, com a Medalha da Inconfidência, Medalha da Ordem do Mérito Imperador Dom Pedro 2º, Medalha de Mérito da Defesa Civil Estadual e Oscar Solidário. Já teve passagens também pela TV Assembleia, TV Bandeirantes, TV Horizonte, Record, Alterosa e Canal 23.
A coluna Poder em Minas é um espaço para a publicação de informações de bastidores, análises e apurações exclusivas dos repórteres de política da Itatiaia. A partir dos textos no portal e vídeos nas redes sociais, a equipe da redação mantém os ouvintes, espectadores e leitores bem informados sobre as movimentações que arquitetam o cenário das eleições de 2026.

