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Motta trava governo e segura avanço sobre IOF

Presidente da Câmara defende decisões com base em dados e rejeita propostas 'atropeladas'

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Presidente da Câmara reage a pressão fiscal e segura avanço sobre IOF • Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou nesta terça-feira (17) que a Casa deve adotar uma postura mais cautelosa diante de medidas com potencial de aumento da carga tributária, como mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a regulamentação do imposto seletivo. Em fala alinhada à Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Motta reforçou que propostas com impacto direto sobre o setor produtivo precisam ser discutidas com base em dados concretos e amplo diálogo.

Sem citar diretamente medidas específicas do governo, o presidente deixou claro o recado político: não haverá espaço para decisões “atropeladas” ou descoladas da realidade econômica. Segundo ele, o Congresso não deve avançar em propostas que possam gerar efeitos negativos sobre a atividade produtiva, especialmente em um cenário de sensibilidade econômica e calendário eleitoral.

“Não vamos conduzir esse debate de maneira descompromissada, sem medir as consequências. Um efeito negativo na economia é ruim para todos”, afirmou.

IOF entra no radar

Nos bastidores, o IOF voltou a ser debatido como alternativa recorrente do governo para reforçar arrecadação no curto prazo. A resistência de parlamentares, no entanto, cresce na mesma proporção.

A fala de Motta dialoga diretamente com esse incômodo. Ao defender decisões baseadas em evidências e impactos mensuráveis, o presidente sinaliza que eventuais mudanças no IOF enfrentarão um ambiente mais rigoroso na Câmara, especialmente entre bancadas ligadas ao empreendedorismo e ao setor produtivo.

O imposto, que incide sobre operações de crédito, câmbio e seguros, é visto por parlamentares como uma ferramenta de arrecadação de efeito imediato, mas com potencial de frear investimentos e consumo, um custo político que o Congresso não parece disposto a assumir sem resistência.

Imposto seletivo: disputa sobre alcance e impacto

Outro ponto sensível é o imposto seletivo, previsto na reforma tributária e ainda em fase de regulamentação. A discussão gira em torno de quais produtos e setores serão atingidos e em que intensidade.

A fala de Motta reforça a linha de que o tema não será tratado de forma automática ou alinhada exclusivamente ao Executivo. O presidente destacou a necessidade de ouvir os setores impactados e medir os efeitos práticos das decisões, especialmente sobre indústria, comércio e serviços.

A preocupação central é evitar distorções que possam comprometer competitividade ou gerar aumento indireto de preços ao consumidor.

“Os setores impactados precisam trazer para a mesa os efeitos reais dessas medidas”, disse.

Ao longo da fala, Motta deixou evidente uma estratégia: reafirmar o protagonismo da Câmara na condução da agenda econômica e impor um ritmo próprio às pautas sensíveis.

A defesa de um processo mais longo e estruturado de discussão, com participação de diferentes setores, funciona na prática, como um freio a iniciativas que cheguem prontas do governo.

Esse posicionamento também dialoga com a base parlamentar, que cobra previsibilidade e segurança jurídica em decisões fiscais.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.