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Motta diz que setores vão 'se adaptar' com fim da escala 6x1

De acordo com Motta, essa é uma decisão política já tomada no Congresso e que muitos empresários desenham cenários catastróficos para a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas que isso não está colocado como uma realidade

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Hugo Motta (Republicanos) em entrevista à CNN Brasil • CNN Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), afirmou, nesta terça-feira (26), em entrevista à CNN Brasil, que diferentes setores econômicos vão se adaptar à redução na escala de trabalho com o fim da 6x1.

De acordo com Motta, essa é uma decisão política já tomada no Congresso e que muitos empresários desenham cenários catastróficos para a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas que isso não está colocado como uma realidade.

"Lá atras, quando se acabou com a escravidão, se fez um exercício de previsão de que o país não suportaria. Da mesma forma está se construindo um clima de pessimismo sobre a redução. Eu tenho a plena convicção de que, quando o Congresso promulgar essa emenda constitucional, todos os setores irão se adaptar e nós estaremos aqui politicamente para ajudar os setores a se adaptarem O que há é a decisão política de se fazer essa mudança", disse.

Motta também reforçou que a redução não terá um impacto significativo na redução da produtividade, já que outros fatores interferem no aumento da produção de cada setor. Ele cita como exemplo o avanço tecnológico e o fim da burocratização.

"Eu discordo dessa afirmação. Se a produtividade está baixa não é por uma classe trabalhadora que não trabalha. Pelo contrário, temos uma das maiores escalas do mundo. Aumentar a produtividade passa por uma discussão do país como um todo: investimento em tecnologia, industrialização e redução da burocratização. O discurso de que a redução é vilão para a produtividade não está correto", afirmou.

Um dos questionamentos do empresariado são as especificidades de cada setor na redução da escala. Motta destacou que o projeto de lei enviado pelo governo será usado para tratar dos detalhes da redução e as particularidades de cada setor da economia.

O presidente da Casa também destacou os benefícios da mudança da escala para a saúde dos trabalhadores. De acordo com ele, a redução na jornada dará mais qualidade de vida aos trabalhadores e pode, inclusive, ajudar a reduzir o número de atestados médicos pedidos nas empresas.

Relação entre Lula e Alcolumbre

Motta ainda disse à CNN Brasil que trabalha no que lhe cabe para retomar a interlocução entre o presidente Lula (PT) e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União).

"Eu tenho uma boa relação com Alcolumbre e Lula. E tenho procurado no que me cabe ajudar para que essa interlocução seja retomada. Nós temos um presidente da República que tem que conversar com o presidente do Congresso apesar de qualquer problema que tenha acontecido", afirmou.

Depois da derrota imposta por Alcolumbre da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal), a relação entre Lula e Alcolumbre ficou estremecida, de forma que o chefe do Executivo deu um passo atrás na possibilidade de encontrar o presidente do Senado.

"Quando esse diálogo ocorrerá e se ocorrerá, não depende de mim", continuou Hugo sobre uma eventual conversa entre os dois. De acordo com ele, há uma "necessidade", no entanto, dessa reunião.

Na entrevista ao Bastidores CNN, o presidente da Câmara esclareceu que não foi procurado por nenhuma das partes para realizar essa interlocução, mas explicou que tem feito essa "ponderação pública" por entender que essa "conciliação" seja o melhor para o país.

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