Lulinha é citado como 'destinatário de pagamentos', diz PF
Inquérito investiga a intermediação de contratos para a Dataprev

A Polícia Federal (PF) afirmou, nesta quarta-feira (24), que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é citado como "destinatário de pagamentos e benefícios" em conversas interceptadas entre a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Cleber Ribas. A informação faz parte de um inquérito que apura a possível atuação de Lulinha em reuniões com o núcleo próximo de Lula para intermediação de contratos para a empresa de Ribas, a 3Structure It LTDA, junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência).
O inquérito que apura um possível tráfico de influência envolvendo Lulinha e a lobista revela que, em um dos diálogos, Luchsinger diz ter envolvido o "palácio" em negociações. A suspeita da PF é que a lobista tenha sido contratada pelo empresário para abrir portas perante o governo federal e que tenha contado com a ajuda de Lulinha em busca de contratos. Na quebra de sigilo telemático de Roberta Luchsinger, a PF encontrou conversas em que ela solicita pagamentos a Ribas que serviriam para custear despesas do primogênito do chefe do Executivo.
Os advogados de Lulinha e Ribas negam qualquer irregularidade nas negociações. A defesa de Luchsinger não respondeu à reportagem da Itatiaia.
"Fabio surge em diversos momentos associado a reuniões de interesse empresarial, é mencionado como destinatário de pagamentos e benefícios custeados por terceiros, participa de discussões sobre a condução dos negócios desenvolvidos pelo grupo e, ao menos em uma oportunidade, intervém diretamente em questão relacionada à emissão de nota fiscal destinada a Cleber Ribas de Oliveira", detalha o relatório da Polícia Federal. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela CNN Brasil.
A circunstância, segundo a corporação, "consideradas em conjunto, constituem indícios de efetiva participação de Fabio nas atividades desempenhadas pela associação informal investigada, recomendando o aprofundamento das diligências para esclarecer o seu papel, eventual responsabilidade e possível vantagem auferida no contexto dos fatos ora apurados".
Em outro trecho dos diálogos interceptados pela PF, em junho de 2023, Luchsinger elenca o que havia feito em favor do empresário: "Marquei semana que vem Geap para você também. Amanhã, Julio. Portos e aeroportos, Correios e aguardando Dataprev confirmar. Agora estou indo para mds... mas acho que vai dar certo. Mas fique tranquilo que a expectativa é muito boa. Só você para me fazer o que fiz... vamos aguardar agora à tarde o resultado. Mas eu envolvi o palácio. Depois te conto porque estou numa mesa com 10".
A defesa de Cleber Ribas afirma que o empresário não tem nem nunca teve contrato com a Dataprev, tampouco relação comercial com Lulinha. Informa, ainda, que a consultoria de Roberta Luchsinger "foi contratada para a prestação de serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado".
"Dito isso, não se pode tecer comentários sobre supostas mensagens sem acesso prévio aos dados brutos da interceptação telemática ou à totalidade das investigações em curso. Os vazamentos de fragmentos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses trechos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva", afirma a defesa de Ribas.
A defesa de Ribas complementa, por fim: "Reiteramos que os contratos celebrados com o Governo Federal foram firmados com a mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja".
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirma que seu cliente não cometeu nenhuma irregularidade, classificando os fatos como "vazamentos seletivos e criminosos". Ele acrescenta que a oposição estaria "instrumentalizando setores da Polícia Federal a serviço desses interesses eleitorais". A Polícia Federal deverá intimar Lulinha após concluir a análise das mensagens com a lobista.
"Isso é muito triste porque o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha capturado a Polícia Federal para servir a seus interesses pessoais, blindar seus filhos, a milícia com a qual governou o país e seus aliados. O presidente Lula, ao contrário, adotou uma postura de estadista, devolveu as instituições de Estado ao Estado brasileiro, dando a elas autonomia", disse Marco Aurélio de Carvalho.
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