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Lula reúne equipe e deve oficializar saída de quase metade dos ministros

Movimento abre espaço para candidaturas em 2026 e reorganiza a Esplanada

Por, Brasília
Encontro deve marcar a saída de ministros e a passagem de bastão para os sucessores • Ricardo Stuckert | PR

A reunião convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a próxima terça-feira (31), no Palácio do Planalto, deve marcar o desembarque de uma parcela significativa da Esplanada dos Ministérios. A expectativa é que ao menos 18 ministros deixem os cargos - o equivalente a quase metade da equipe - para disputar as eleições de outubro.

O encontro foi organizado como uma espécie de “passagem de bastão”, reunindo os ministros que saem e os nomes que devem assumir as pastas. A ideia do governo é alinhar discursos, apresentar resultados da gestão e garantir continuidade administrativa até o fim do mandato.

A movimentação ocorre por causa da legislação eleitoral, que exige a desincompatibilização de cargos públicos até seis meses antes do pleito. Como o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, o prazo final é 4 de abril.

A orientação do Palácio do Planalto é que a maioria dos ministros deixe os cargos logo após a reunião de terça-feira, embora haja exceções. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o da Educação, Camilo Santana, por exemplo, devem permanecer até quinta-feira (2) para concluir agendas oficiais.

Nos bastidores, a tendência é que os substitutos sejam escolhidos dentro das próprias equipes, principalmente entre secretários-executivos, numa tentativa de evitar descontinuidade em projetos e entregas do governo. É o que aconteceu no ministério da Fazenda logo após a saída de Fernando Haddad. O substituto escolhido foi Dário Durigan, ex-secretário-executivo da pasta.

A debandada de ministros ocorre em um momento estratégico, com o governo acelerando anúncios e obras antes do período eleitoral, enquanto organiza sua base política para as disputas de 2026.

Quem sai?

Entre os cerca de 18 ministros que devem deixar o governo do presidente Lula, apenas parte já tem destino eleitoral definido. A maior fatia ainda articula internamente ou evita confirmar publicamente qual cargo pretende disputar.

Entre os nomes com cenário mais claro está Rui Costa (Casa Civil), cotado para disputar o Senado pela Bahia, e Renan Filho (Transportes), que já confirmou a pré-candidatura ao governo de Alagoas. Também aparecem como possíveis candidatos a cargos majoritários figuras como Camilo Santana (Educação), no Ceará, e Fernando Haddad (Fazenda) em São Paulo.

Já no campo das disputas proporcionais - principalmente para o Senado - a lista inclui ministros como Wellington Dias, Márcio França, Silvio Costa Filho, André Fufuca e Juscelino Filho.

Também são citados nas articulações eleitorais os ministros Alexandre Silveira, Carlos Fávaro, Paulo Teixeira, Jader Filho e Celso Sabino, além das ministras Cida Gonçalves, Anielle Franco, Sonia Guajajara e Luciana Santos.

O desenho final das candidaturas, no entanto, ainda depende das negociações partidárias e deve ser fechado até o prazo de desincompatibilização, em abril.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio