Lula e Flávio apostam em carreatas para mobilizar eleitores no 2º turno
Especialistas avaliam que atos nas ruas ajudam a demonstrar força das candidaturas, engajar apoiadores e tentar reduzir a abstenção na disputa pela Presidência

Os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), participaram de carreatas no sábado (10), em uma estratégia para mobilizar eleitores durante a campanha do segundo turno, que tem apenas 21 dias entre as votações.
Lula esteve em Natal, ao lado de Cadu de Lula (PT), onde criticou o que chamou de “tesouraço” do adversário. Segundo o presidente, a proposta de corte de gastos públicos de Flávio Bolsonaro atingiria programas sociais.
Já Flávio participou de uma carreata em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e defendeu a redução da maioridade penal.
Para especialistas ouvidos pela CNN Brasil, as mobilizações de rua são importantes para demonstrar a força das candidaturas, estimular o engajamento dos apoiadores e tentar diminuir a abstenção.
“É um dos pontos centrais de engajamento para diminuir a abstenção. Grupos específicos em regiões específicas, mostrar a força”, explicou Denilde Holzhacker, cientista política e professora da ESPM.
A professora também destacou a importância da disputa no Nordeste para Lula, especialmente diante do desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro em comparação com o resultado obtido pelo pai, Jair Bolsonaro.
“Flávio teve uma ampliação de votos, comparado com o pai, então, ganhar uma dianteira ainda maior no Nordeste é essencial para o Lula e diminuir a abstenção.”
Quem são os eleitores indecisos?
A disputa também passa pelos eleitores que ainda não decidiram em quem votar ou que não acompanham de perto a política. Segundo Mayra Goulart, cientista política, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom), esse grupo pode ser influenciado pelas manifestações públicas.
“São pouco conectados com política, que ainda não estão capturados em nenhuma bolha de dissonância cognitiva e nem têm interesse particular, não vão atrás de informação”, avaliou.
A especialista ponderou, no entanto, que não é possível prever se a exposição a esses atos terá um efeito positivo ou negativo sobre os eleitores.
“Por isso que esses eventos de rua podem, sim, ter efeito. O que a gente não consegue estimar é se é um efeito positivo ou negativo.”
Demonstração de força nas ruas e nas redes
Além da atuação nas redes sociais, as carreatas ajudam a transmitir uma imagem de força e competitividade. Na avaliação de Holzhacker, a campanha de Lula precisou reforçar a mobilização para demonstrar que continua competitiva na disputa presidencial.
“A candidatura do Lula teve que se voltar para a mobilização e mostrar que é uma campanha que tem competitividade, que não perdeu. As ações nas ruas, as mobilizações, as carreatas também têm esse sentido”, argumentou.
A cientista política também ressaltou que Flávio Bolsonaro mobilizou seus apoiadores no fim de semana, reforçando a importância de demonstrar engajamento nas ruas e nas plataformas digitais.
As manifestações, porém, não se limitam à mobilização de quem já tem um candidato definido. Segundo Holzhacker, a presença de apoiadores pode transmitir aos indecisos a percepção de que uma candidatura tem condições de vencer a disputa.
“Quem se mobiliza, em geral, são aqueles que estão decididos, que estão de um lado para o outro. Ao sair às ruas, pode demonstrar força, e aqui é um efeito importante que a ciência política coloca: os eleitores indecisos vejam que aquela campanha tem competitividade, tem capacidade de superar o seu adversário”, ponderou.
Para a especialista, a capacidade de convencer esse público dependerá principalmente das mensagens apresentadas pelos candidatos e por seus grupos de apoio.
“Vai depender muito mais do discurso, da mensagem que essas manifestações e os grupos de apoio vão levar”, pontuou.
As redes sociais também são consideradas importantes nesse processo, por ajudarem a levar as propostas dos candidatos para além dos grupos que já acompanham a disputa política.
“Talvez seja uma das únicas chances de afetar esse eleitor que não está nas bolhas, não assiste o horário eleitoral”, afirmou Goulart.
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