Lula afirma que questões geopolíticas “não podem sequestrar” agenda do G20
A partir de 1° de dezembro, o Brasil assumirá a presidência do bloco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante discurso de encerramento da Cúpula do G20, em Nova Délhi, que as questões geopolíticas "não podem sequestrar" a agenda do G20. "Não podemos deixar que questões geopolíticas sequestrem a agenda de discussões das várias instâncias do G20".
A frase foi uma menção as polêmicas sobre a Guerra na Ucrânia dentro do bloco. No sábado (9), a Declaração de Líderes do G20 já havia adotado um tom mais brando em relação a responsabilidade da Rússia sobre o conflito. Na carta, os chefes de Estado afirmaram que o bloco é um espaço para debate econômico e não geopolítico.
Putin no Brasil
Em entrevista exclusiva à CNN Índia, após a divulgação do documento, o presidente avançou e disse que o foro adequado para discutir o conflito é a Assembleia Geral da ONU, que será realizada no próximo dia 20.
Na mesma entrevista, Lula disse que vai convidar Vladmir Putin para a Cúpula do G20 no Brasil, no ano que vem, e garantiu que o presidente russo não será preso em território brasileiro.
Putin tem um mando de prisão em aberto em aberto pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) desde março. Por isso tem evitado comparecer a encontros internacionais. Em agosto, a Rússia enviou um representante do governo, o chanceler Sergei Lavrov, a Johanesburgo para comparecer à cúpula dos Brics e fez o mesmo na Cúpula do G20.
O presidente Russo é acusado de deportação e transferência ilegal de crianças da Ucrânia para a Rússia devido à invasão do território vizinho
"Não nos interessa um G20 dividido"
Também durante o discurso de encerramento, sem citar Vladimir Putin, que faltou ao encontro em Nova Délhi, Lula apaziguou os ânimos. "Não nos interessa um G20 dividido. Só com uma ação conjunta é que podemos fazer frente aos desafios dos nossos dias. Precisamos de paz e cooperação em vez de conflitos", concluiu.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
