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Itália aceita extradição de Zambelli e defesa prevê decisão final em até 6 meses

Advogado afirma que há dois pedidos em análise e que recursos ainda serão julgados pela Suprema Corte italiana

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Defesa de Zambelli vai recorrer da decisão de extradição para o Brasil • Agência Câmara dos Deputados

A Justiça italiana aceitou o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli em um segundo processo encaminhado pelo Brasil, desta vez relacionado ao episódio em que ela perseguiu um homem armada nas ruas de São Paulo, na véspera das eleições de 2022. A defesa afirma que ainda há recursos pendentes e estima que a decisão final da Corte Suprema italiana pode levar entre cinco e seis meses.

Segundo o advogado de Zambelli, Fábio Pagnozzi, há atualmente dois pedidos de extradição em tramitação: o primeiro ligado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o segundo referente ao caso do porte de arma.

“A Corte italiana que já havia autorizado a extradição no caso do CNJ analisou também esse segundo pedido. Agora, temos um recurso pendente na Suprema Corte em relação ao CNJ e vamos apresentar outro recurso no caso da arma”, afirmou o advogado.

De acordo com Pagnozzi, o tempo de tramitação segue o padrão do primeiro processo: “O pedido inicial levou cerca de sete meses. Esse segundo trâmite foi mais rápido porque foi anexado ao processo já em andamento, mas o julgamento dos recursos ainda deve levar mais cinco ou seis meses”, explicou.

A defesa também questiona a manutenção da prisão da ex-deputada em Roma durante esse período. Zambelli está detida sob o argumento de risco de fuga, já que é considerada foragida pela Justiça brasileira. O advogado contesta essa justificativa e afirma que medidas cautelares poderiam ser adotadas: “Ela está sem acesso a recursos financeiros, com documentos apreendidos. Existem alternativas como monitoramento eletrônico ou prisão domiciliar”, disse.

Pagnozzi também levantou suspeitas sobre a atuação do governo brasileiro no processo de extradição, ao afirmar que informações sobre a decisão teriam chegado à imprensa antes da defesa: “A embaixada teve conhecimento antes do advogado, o que levanta dúvidas sobre a condução do caso”, declarou.

A extradição ainda depende da análise final da Justiça italiana, incluindo a avaliação dos recursos apresentados pela defesa. Caso autorizada em definitivo, caberá ao governo italiano executar a entrega da ex-deputada às autoridades brasileiras.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.