Fuad x Aro: Bastidores da guerra entre PBH e Câmara dois meses depois da eleição na Casa
Fuad Noman e Marcelo Aro estão em pé de guerra. Para apaziguar relação com o parlamento, prefeito pode ter que abrir mão da Secretaria de Educação e da Fundação de Parques

A eleição da Câmara Municipal de Belo Horizonte passou, mas a guerra entre a prefeitura e o parlamento continua. Mesmo sendo peça-chave do grupo que venceu a eleição da Casa, o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP) não engoliu o fato de ter que abrir mão do seu candidato à presidência da Câmara, Juliano Lopes (AGIR), porque o candidato da prefeitura, Bruno Miranda (PDT), tinha chances de vencer a disputa. No final das contas, o grupo de Aro se uniu a Gabriel Azevedo (sem partido) e venceu as eleições pela diferença de um voto. O acordo foi para Gabriel comandar a casa no primeiro biênio da gestão e Juliano Lopes no segundo.
O prefeito Fuad Noman (PSD) e o ex-deputado Marcelo Aro (PP) saíram da eleição com uma péssima relação. Em janeiro, um amigo em comum dos dois tentou promover uma reconciliação e marcou um encontro na casa de Marcelo Aro. Depois de uma discussão, Aro fez uma proposta de indicar o comando de três pastas, incluindo a Secretaria de Governo. Fuad não aceitou. Em uma segunda proposta, segundo fontes da coluna, o parlamentar teria sugerido indicar o comando de outras duas secretarias, dentre elas a de educação, e de duas autarquias, dentre elas a Fundação de Parques, que havia sido prometida à deputada federal Duda Salabert (PDT) nas negociações pela presidência da Casa.
Educação
Fuad ainda não deu resposta sobre a questão, enquanto isso, a Câmara convocou a secretária de Educação, Ângela Dalben, para prestar esclarecimentos sobre um processo seletivo da pasta que é questionado também por vereadores da esquerda. O cancelamento das contratações de psicólogos e assistentes sociais gerou revolta geral entre os parlamentares que se uniram para convocá-la. E a situação de Dalben à frente da pasta fica cada dia mais insustentável. A oitiva será nesta quarta (01) às 9h30, na Câmara Municipal. Apesar de esta não ser uma briga específica do grupo de Aro, se houver troca no comando da secretária e o ex-deputado conquistar a indicação do titular, ao contrário do que tem sido dito, ele não deve indicar a própria mãe, vereadora Professora Marli (PP) para o cargo, já que ela é aliada de primeira ordem no parlamento e deve permanecer na Câmara dos Vereadores. Antes da eleição, a pasta havia sido prometida, segundo fontes da coluna, ao ex-vereador Leo Burguês que renunciou ao cargo neste mês.
Distribuição de pastas
A argumentação dos parlamentares que pleiteiam indicações em secretarias é que se o prefeito tinha cargos para distribuir aos aliados quando estava na disputa pela presidência da Câmara, já que ele não venceu, os cargos estão à disposição para ele negociar o apoio do grupo vencedor às pautas do Executivo na Casa. Ainda segundo fontes da coluna, em troca de apoio para eleger o candidato da prefeitura, o prefeito ofereceu, antes da eleição, a regional noroeste ao vereador Ramon Bibiano (PSD), a Prodabel ao grupo do Luis Tibé, o comando da regional norte à vereadora Marilda Portela (Cidadania) que nomeou o genro, a regional leste ao vereador Wanderley Porto (Patriota), do grupo de Fred Costa e a diretoria do Odilon Behrens ao vereador Célio Froes (PSC), o que provocou revolta entre servidores do hospital. Vereadores da base que não foram contemplados também ameaçam sair e ir para o bloco independente. Sem cargos para distribuir e garantir a aprovação de suas propostas no Parlamento, Fuad argumenta que a casa precisa aprovar a Reforma Administrativa que vai criar mais 500 cargos.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
